[conjunto vazio]

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O Capitalismo é a nossa religião!

In blog on janeiro 5, 2013 at 20:45

 “Os mundos uivam o próprio canto fúnebre. e nós somos macacos de um Deus frio

Karl Marx

Um bom sujeito burguês sabe muito bem que não existe nada de mágico no dinheiro, que ele é apenas um objeto que simboliza um conjunto de relações sociais. Mesmo assim, agimos em nosso cotidiano, na vida real, como se acreditassemos que o dinheiro é uma coisa mágica.

Na teoria, o capitalista agarra-se ao nominalismo utilitarista (“dinheiro é só dinheiro”), mas, na prática (da troca), segue os “caprichos teológicos e argúcias metafísicas” e age como um idealista especulador.

A maior mentira da economia mercantil, a qual afimava que Deus havia morrido, acabou por nos cegar com sua glória de prosperidade e liberdade… mas, não somos nós que, todos os dias colocamos as mãos nos bolsos ou olhamos nossos extratos bancários e agradecemos silenciosamente com um enorme sorriso no rosto, por ainda podermos fingir que temos uma vida?

Amém.

Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames

In intervenção urbana on janeiro 2, 2013 at 14:06

No dia 23 de dezembro de 2012 o [conjunto vazio] realizou a ação “Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames” em comemoração ao Dia Sem Compras (evento internacional anti-capitalista de incentivo ao não consumismo e de crítica ao modelo de sociedade vigente).

Primeiramente, roubamos os envelopes de deposito do Banco do Brasil,  dentro de dezenas desses envelopes colocamos a famosa frase de Bertolt Brecht: “Qual o maior crime: fundar um banco ou assaltar um banco?”. Feito isso, devolvemos os envelopes ao banco como se nunca tivessem sido retirados de lá.

Depois dessa ação, realizamos uma série de depósitos nas contas correntes que o Banco do Brasil mantem/divulga para “ajudar” projetos sociais ou cidades atingidas por desastres naturais. Foram enviadas nos envelopes de depósito para o banco, notas de dinheiro do jogo Banco Imobiliário e uma carta-ameaça.

Segue o texto da carta-ameaça:

Banco Imobiliário
(Quando “Aproveitar a vida” é queimar um banco)

A crítica a sociedade de consumo não é motivada porque consumimos demais, mas porque consumir virou a única coisa que nos é permitido. Somos sempre levados a viver o capitalismo da forma que ele é vendido, mas o que aconteceria se acreditássemos mesmo na publicidade? Se de fato “vivêssemos o agora” como mandam as propagandas, esse banco já não existiria, as ruas amanheceriam com as pessoas cantando e dançando ao redor dos carros pegando fogo. Não sobrariam outdoors, propagandas, publicidade. Não sobrariam mais empregos e nem esse dinheiro sujo que sustentam vocês.
  “Aproveite o minuto”, “Faça algo novo”, “Toda hora é hora de aproveitar”, “Leve a vida do melhor jeito que você puder”, todo um mundo de possibilidades fornecidas por 12% de juros ao mês. Estamos intoxicados pelo espetáculo, aceitando sacrifícios diários a espera de uma vida futura que não chegará. Vocês prometem, mas nunca nos dão e tomam nosso cotidiano por um valor tão baixo, como se fosse esse o verdadeiro preço da liberdade ilusória, de tantos momentos falsos e de sonhos pré-fabricados materializados em um novo cartão de crédito.   Senhores, enquanto vocês dormem empanturrados de bugigangas desprezíveis, nós temos insônia com as escandalosas extorsões que sua corporação realiza. Cuidado com o que desejam aos seus consumidores, isso ainda se voltará contra vocês!

Sim, isso é uma ameaça!

VOCÊS NÃO ESTÃO SEGUROS!

Por fim, em um clima descontraído e jovial jogamos Banco Imobiliário dentro do Banco.

A ação é um work in progress que terá continuidade em outros bancos e com novas ações.