[conjunto vazio]

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O Trabalho Liberta

In performance on dezembro 31, 2012 at 14:19
 
Ao entrar em Auschwitz pode se ler no portão principal: ‘o trabalho liberta’. A história do trabalho revela seu paralelo com a tortura, mesmo que impere um esquecimento da origem das palavras ‘tripalium’  e ‘labor’ . 
 A falácia do trabalho como valor adentra também o cotidiano fazendo com que nosso tempo livre seja ocupado por suas reproduções. Quão doloroso e alienante pode ser essa lógica que faz com que nossos corpos sejam domados e lacerados em troca da sobrevivência diária? 

 É necessário não esquecer (nós não esquecemos)…. então trabalhadores de todo o mundo, descansem!

O Trabalho Liberta - Capa

O Trabalho Liberta é um work in progress a partir do O Trabalho Dignifica o Homem.

A performance foi apresentada em junho de 2012 na exposição Táticas heterogêneas / aproximações entrópicas junto ao grupo Estratégias da Arte numa Era de Catástrofes da UFMG. A exposição foi realizada Salão Diamantina – Centro de Artes e Convenções da UFOP, dentro do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes.

 

O Traballho Liberta 19

O Traballho Liberta 44

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Piscinão de Ramos em Belo Horizonte

In intervenção urbana on dezembro 31, 2012 at 01:08

Ação realizada em 29 de maio de 2011 na Praça da Rodoviária/Rio Branco em Belo Horizonte.

A intervenção  partiu de uma crítica aos caminhos tomados pela Praia da Estação (ação que o [conjunto vazio] esteve intimamente envolvido desde seu início, já que  própria ideia da Praia partiu de uma ação do coletivo A Ilha em consonância com o que chamamos de Tradição Praieira Insurgente de Belo Horizonte) que acabava por virar mais um divertimento acrítico de final de semana.

Sem dúvidas, a ação na Praça da Rodoviária foi uma das ações mais fracassadas do coletivo (a matéria publicada no site Ah! Cidade não nos deixa mentir), mas que acabou por revelar a relevância sobre certos pontos apontados pelo coletivo sobre como as movimentações na Praia da Estação acabaram por fetichizar o espaço da praça e, por fim, como passaram a nublar muitas outras movimentações na cidade. Inicialmente a proposta da Praia não se destinava a questionar apenas o decreto, mas os incontáveis recrudescimentos que a cidade passa(va) e que naquela época a proibição da utilização da praça para atividades de “qualquer natureza” era o maior sintoma.

O Piscinão (juntamente com outras ações como o Que Trem é Esse?, Praia da Serra, etc.) mostrou a ineficácia das tentativas que tentaram sair da Praça da Estação e dos espaços mais limpos da cidade. Enquanto na página do facebook (criada para convidar as pessoas para discutir a cidade na Praça da Rodoviária) cerca de 255 pessoas confirmavam presença e inúmeras discussões aconteciam na internet, se o momento presencial, da ação de fato, 15 pessoas permaneceram no mesmo espaço e ao mesmo tempo isso foi um recorde. Obviamente o número de pessoas não quer dizer nada e muito menos mede o teor de uma ação, mas é interessante pensar como a adesão e a discussão virtual não conseguem tomar corpo e mais do que isso, a maioria dos “banhistas” nunca parecem se sentirem motivados a ir além do já conformado e confortável espaço da Praça da Estação (e muito menos refletir criticamente sobre essas ações). A escolha da Praça da Rodoviária se deu justamente pela semelhança e ao mesmo tempo ser o anverso da Praça da Estação (mesmo sendo tão próximas), uma arquitetura que não facilita a permanência pela sua concretude e falta de locais com sombra, além dos mendigos, prostitutas e  um proeminente cheiro de xixi. Nessa comparação nos parece evidente que a Praça da Rodoviária é um espaço mais “degradado” e principalmente não “reformado”, já que a Praça da Estação contou com enormes reformas nos últimos anos, alterando pintura do prédio, ampliando o espaço do largo em frente para receber eventos, além da mudança de piso, da iluminação e o mais importante, as fontes. Importante frisar que a Praça da Estação conta com o Museu de Artes e Ofícios, uma espécie de museu particular da socialite Angela Gutierrez. Tudo isso colabora para uma visão da Praça da Estação como um espaço mais “habitável” e “limpo”, por isso mais facilmente gentrificante.

 Todas essas características pareceram não incentivar uma adesão à ação, principalmente se levarmos em conta que no mesmo dia aconteceu o Piquenique da 6ª Mostra de Design. Evento que além de contar com dinheiro de patrocínios público e apoio de grandes empresas, mobiliza também capital simbólico, já que oferece um espaço de consumo transvestido de espaço de convívio, pessoas descoladas e bem vestidas, grama e piscinas de verdade em uma rua fechada especialmente para o evento. Não há dúvida, nós do coletivo [conjunto vazio] também deveríamos ter ido para lá!

Piscinão

Muro

In performance on dezembro 29, 2012 at 04:37

muro 1

O quão problemático e doloroso pode ser trabalhar coletivamente? O quão alienante e sem sentido pode ser o trabalho?

A partir da ideia banal e nada original da imagem do muro como metáfora da separação consumada na vida cotidiana e na política, a ação “Muro” propos a construção e desconstrução de um muro de pedras até a exaustão, sem falar, beber água, comer, ir ao banheiro ou parar para descansar e caso algum dos participantes desistisse não poderia jamais retornar.

A ação fracassada que teve exaustivas 9 horas de duração deixou um lastro ainda mais exaustivo – mas não menos questionador – de discussões, negociações, brigas e mal-entendidos (entre “artistas”; entre ideologias; entre os organizadores da residência e os realizadores da ação; entre o IPHAN/Funarte e os realizadores; ad infinitum).  Até  a  realização concreta da ação ficou muito claro o processo reificado e fetichista inerente ao fazer artístico, com suas promessas “relacionais” ou “permeáveis” mas que constantemente esbarram em relações verticalizadas, burocráticas e egoicas. A simples e inútil ação de construir um muro coletivamente em um evento de arte (que se pretendia permeável e aberto) acabou por revelar estruturas não condizente com toda a retórica que clamava pelo diálogo, pela experimentação e pelo o “processo” (desde que claro, as hierarquias se mantessem).

As vezes muros podem se transformar em barricadas.

 Números da ação: 

Duração: 9hs; 40 segundos em média para colocar e/ou retirar cada pedra.
Dimensão: 4 x 1,70m; 13 fileiras de 42 pedras.
Pedras movidas para a construção = 546; para a desconstrução = 254; TOTAL = 800.
Peso em média de cada pedra = 5Kg; totalizando em cerca de 4.000Kg movidos.
Passos em média para colocar ou retirar cada pedra = 200; totalizando em cerca de 160.000 passos.
Distância percorrida para colocar e/ou retirar cada pedra = 100m; Totalizando um deslocamento de 80.000m ou 80Km.

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“Muro” é uma ação do [conjunto vazio] em parceria com Admre Kamudzengerere, Flávio Cro, Jairo Pereira e Maíra Fonte Boa. Realizada em agosto 2012 na Funarte MG dentro da residência Permeabilidades promovido pelo CEIA (Centro de Experimentação e Informação de Arte).

A dialética pode quebrar tijolos?

In performance on dezembro 29, 2012 at 02:49

“Podem ideias concretas quebrarem o concreto?”

Elementos:

– 10 tijolos

– 1 madeira velha e vermelha

– 1 corpo

– Algumas teorias

Procedimentos: ajoelhado em direção a parede deve-se tentar quebrar os tijolos um por vez usando a cabeça

Saldo: Dialética 2 X 8 Tijolos

Performance realizada em agosto 2012 na Funarte MG  dentro da residência Permeabilidades promovido pelo CEIA (Centro de Experimentação e Informação de Arte).

Como resistir se já está tudo vendido? – Palestra Desmotivacional sobre práticas de negações cotidianas, estéticas e políticas

In vivências e debates on dezembro 29, 2012 at 00:48

 

Palestra em telepresença do [conjunto vazio] no [Evento 2] – Cotidiano/Convívio/Resistência organizado pelo coletivo Novas Medias!?. O evento aconteceu no dia 18 de dezembro de 2012 na Galeria Theodoro Braga em Belém – Pará.

A comunicação, uma auto-ajuda reversa, parte de uma perspectiva ligada a anti-arte como tentativa de desvinculação entre arte e estética e principalmente de um espaço de voluntarismo (evitamos aqui o ranço que o termo “engajamento” tem) onde a negação prática se dá como negação cotidiana das práticas fetichistas dentro do capitalismo.  Tomar/destruir tudo o que pode ser tomado/destruído, diriam os situacionistas, mas será que é possível resistir se tudo já está a venda ou pior, que o preço esteja tão baixo?  Isso incluí repensar se as práticas que acreditamos serem de resistência, afronta e transgressão já não estariam inseridas na mesma lógica que queremos combater.

Interseções: Filosofia e Cidade

In vivências e debates on dezembro 28, 2012 at 18:02

interseções - filosofia e cidade

Mesa redonda sobre “Arte e Intervenção Urbana” com a participação do [conjunto vazio] e dos atores Igor Leal e Renata Cabral, integrantes do coletivo Paisagens Urbanas.

O debate ocorreu em 29 de maio de 2012 dentro da programação do “Interseções: Filosofia e Cidade”, evento realizado pelo Programa de Ensino Tutorial (PET) do curso de Filosofia da  Universidade Federal de Minas Gerais.

A comunicação do [conjunto vazio] partiu de um pequeno (e parcial) panorama sobre as ações urbanas e uma historização da cidade como um elemento central para as atividades estéticas a partir das vanguardas históricas ( Futurismo, Construtivismo Russo, Dadá parisiense e o Surrealismo). Além da recepção dessas práticas e questionamentos pelas vanguardas tardias (Internacional Situacionista, Provos e Fluxus). Outro aspecto central foi a problematização da intervenção urbana ter tomado um aspecto importante no mundo da arte, consequentemente sua apropriação pelos mecanismos de propaganda e o chamado marketing de guerrilha (assim como um certo esvaziamento, operados por flashmobs e o mercado de arte).

Estação Patio Savassi: Manifestações Urbanas e Bem Viver

In vivências e debates on dezembro 23, 2012 at 14:57

Debate sobre intervenções no espaço urbano, realizado em 19 de novembro de 2011 no anfiteatro do Shopping Pátio Savassi.

Participaram da conversa a artista plástica e professora Brígida Campbell (do grupo Poro); o ator e pesquisador Leandro Silva Acácio (do Obscena); o professor, diretor e pesquisador Luiz Carlos Garrocho,  além de Luther Blisset, integrante do coletivo [conjunto vazio].

O debate foi organizado dentro do Projeto Estação Pátio Savassi  , uma realização da Estação do Saber e do Shopping Pátio Savassi que promove segundo eles: “palestras gratuitas quinzenais, sempre nas manhãs de sábados, onde são discutidos temas contemporâneos com a participação de intelectuais, escritores e profissionais renomados”.

Com toda certeza uma das ações mais bizarras do [conjunto vazio],  primeiro por falar sobre ações de resistência na cidade a partir da perspectiva que no capitalismo não é permitido viver, somente sobreviver e por formas que usam de elementos estéticos mas tentam ir para além da fetichização da arte (isso em um evento também fetichizado que pretendia falar do “bem viver” na cidade). Fora isso, é importante notar que o público do debate era composto em sua maioria por senhorinhas e socialites de alto garbo em um dos shoppings mais burgueses de Belo Horizonte. Interessante notar como um debate sobre bem viver na cidade se dá justamente em um dos espaços de maior exclusão, sendo uma das localizações mais valorizados e gentrificadas.

A intervenção do [conjunto vazio] que centrou-se também no que chamamos de “movimentações subterrâneas” de Belo Horizonte, com suas e diversas formas de resistências estéticas, políticas, teóricas e simbólicas (como o Domingo Nove e Meia, Loja Grátis, Bicicletada, Ystilingue, entre outras) .

O vídeo completo do debate pode ser visto aqui.

Pátio Savassi - Manifestações Urbanas e Bem Viver

Juventude e Pixação

In vivências e debates on dezembro 22, 2012 at 22:05

Em 25 de novembro de 2011 foi  lançada a Agenda Juventude e Pixação com um debate promovido pelo Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais.

A coordenação da Agenda e dos debates foi feita por Cristiane Barreto, psicanalista e psicóloga, que juntamente o professor, pesquisador e diretor de teatro Luiz Carlos Garrocho e o coletivo [conjunto vazio] são iniciadores da causa. Tendo como mote inicial a criminalização crescente de jovens (principalmente a cruzada promovida pelo poder público aos Piores de Belô) o encontro tentou analisar e dar a ver visões sobre a pixação, a cidade e as políticas públicas.

Foram apresentadas as seguintes comunicações: “Ética e estética ” com Luiz Carlos Garrocho; “Dá para aproveitar? O corpo e a escrita” com o psicanalista Célio Garcia; “A anti-estética do pixo e o mercado da arte” com o [conjunto vazio]; “O olhar da cidade” com a psicanalista e psicóloga Débora Matoso; “Alguma coisa está fora da ordem…” com o psicanalista e psicólogo Miguel Antunes.

A fala do [conjunto vazio] procurou expor questões históricas, (anti) estéticas e éticas da pixação, além dos seus modos de inserção, socialização e problematizações, principalmente após a prisão dos Piores de Belô e a absorção crescente do pixo pelo mercado de arte e publicidade.

Um relato mais detalhado do evento pode ser visto aqui e aqui.

Juventude e Pixação - Tarde no Conselho 1

Mesa Redonda: “Olhar sensível sobre a cidade”

In vivências e debates on dezembro 21, 2012 at 20:08

 

Mesa redonda com a participação professor do departamento de Arte Visuais – UEL, Marcos Rodrigues Aulicino e integrantes do coletivo [conjunto vazio].

O debate ocorreu em 22 de setembro de 2011 dentro da programação da I Semana de Arte e ArquiteturaA Escala do Sensível na Universidade Estadual de Londrina – Paraná.

Marcos em sua comunicação falou da apreensão dos artistas franceses do final do século XIX (principalmente Edgar Degas) e a íntima relação das obras com as mudanças urbanísticas que Paris passava.

 A fala do [conjunto vazio] no debate (intimamente relacionanda com a oficina ministrada anteriormente no evento) tentou sublinhar a importância das vanguardas estético-políticas (especificamente os surrealistas e os situacionistas) para a alteração das perspectivas sensíveis, políticas e emancipatórias dentro da cidade. A partir disso, quais aporias e possibilidades essas novas percepções, apreensões e propostas poderiam trazer.

 Olhar Sensível sobre a Cidade - Professor Marcos

A Cidade como um Jogo – Mapas, Derivas e Desvios

In vivências e debates on dezembro 21, 2012 at 13:35

“A Cidade como um Jogo – Mapas, Derivas e Desvios” foi uma oficina ministrada pelo coletivo [conjunto vazio]  na Casa de Cultura da UEL, entre os dias 20 e 22 de sertembro de 2011, dentro da programação da I Semana de Arte e ArquiteturaA Escala do Sensível na Universidade Estadual de Londrina – Paraná.

A vivência  teve como proposta discutir e dar a ver novas formas de contato e experimentação na cidade. Através da prática de perambular pelas ruas e contato teórico com autores e movimentos artísticos que viam a cidade como um espaço para o jogo e emancipação. Ao fim da oficina foi proposta a criação de mapas afetivos para a cidade em mais variadas formas (podendo ser realizado por meio de imagens, textos, sons ou corpo).

Essa vivência dá prosseguimento aos estudos do coletivo sobre a cidade e novas formas estéticas de apreensão da sua arquitetura e das suas dinâmicas a partir do “simples” deslocar-se pela cidade.

A cidade como um jogo - Apresentação

A Cidade como um jogo - Confecção dos mapas