[conjunto vazio]

Archive for the ‘intervenção urbana’ Category

[BRAÇO ARMADO]

In intervenção urbana on setembro 22, 2014 at 23:30

BRAÇO ARMADO

O coletivo [conjunto vazio], tentando levar a cabo a máxima que diz que todo movimento contracultural precisa de sua banda de rock para conquistar o mundo, formou seu [BRAÇO ARMADO]. O projeto (de mau gosto) é um ataque auditivo-performático-imagético em espaços abertos e/ou não apropriados. Ou simplesmente mais um karaôke punk-auto-destrutivo.

BRAÇO ARMADO 1

BRAÇO ARMADO 2 BRAÇO ARMADO 3 BRAÇO ARMADO 4 BRAÇO ARMADO 5 BRAÇO ARMADO 6 BRAÇO ARMADO 7 BRAÇO ARMADO 8

BRAÇO ARMADO 9

A intervenção ocorreu no dia 26 de julho de 2014,  no Perturbe – Festival de Ruído e Performance do selo Meia-Vida em Curitiba.

Realizado com um carrinho de compras roubado e transformado em uma maquina infernal de ruído, o [BRAÇO ARMADO] foi a tentativa do coletivo de criar focos de guerrilha sonora e imagética durante 2 km pela cidade de Curitiba.

“Trabalhadores de todo mundo, descansem”/”Artistas: desistam!”

Trechos em vídeo, aqui e aqui.

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Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames

In intervenção urbana on janeiro 2, 2013 at 14:06

No dia 23 de dezembro de 2012 o [conjunto vazio] realizou a ação “Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames” em comemoração ao Dia Sem Compras (evento internacional anti-capitalista de incentivo ao não consumismo e de crítica ao modelo de sociedade vigente).

Primeiramente, roubamos os envelopes de deposito do Banco do Brasil,  dentro de dezenas desses envelopes colocamos a famosa frase de Bertolt Brecht: “Qual o maior crime: fundar um banco ou assaltar um banco?”. Feito isso, devolvemos os envelopes ao banco como se nunca tivessem sido retirados de lá.

Depois dessa ação, realizamos uma série de depósitos nas contas correntes que o Banco do Brasil mantem/divulga para “ajudar” projetos sociais ou cidades atingidas por desastres naturais. Foram enviadas nos envelopes de depósito para o banco, notas de dinheiro do jogo Banco Imobiliário e uma carta-ameaça.

Segue o texto da carta-ameaça:

Banco Imobiliário
(Quando “Aproveitar a vida” é queimar um banco)

A crítica a sociedade de consumo não é motivada porque consumimos demais, mas porque consumir virou a única coisa que nos é permitido. Somos sempre levados a viver o capitalismo da forma que ele é vendido, mas o que aconteceria se acreditássemos mesmo na publicidade? Se de fato “vivêssemos o agora” como mandam as propagandas, esse banco já não existiria, as ruas amanheceriam com as pessoas cantando e dançando ao redor dos carros pegando fogo. Não sobrariam outdoors, propagandas, publicidade. Não sobrariam mais empregos e nem esse dinheiro sujo que sustentam vocês.
  “Aproveite o minuto”, “Faça algo novo”, “Toda hora é hora de aproveitar”, “Leve a vida do melhor jeito que você puder”, todo um mundo de possibilidades fornecidas por 12% de juros ao mês. Estamos intoxicados pelo espetáculo, aceitando sacrifícios diários a espera de uma vida futura que não chegará. Vocês prometem, mas nunca nos dão e tomam nosso cotidiano por um valor tão baixo, como se fosse esse o verdadeiro preço da liberdade ilusória, de tantos momentos falsos e de sonhos pré-fabricados materializados em um novo cartão de crédito.   Senhores, enquanto vocês dormem empanturrados de bugigangas desprezíveis, nós temos insônia com as escandalosas extorsões que sua corporação realiza. Cuidado com o que desejam aos seus consumidores, isso ainda se voltará contra vocês!

Sim, isso é uma ameaça!

VOCÊS NÃO ESTÃO SEGUROS!

Por fim, em um clima descontraído e jovial jogamos Banco Imobiliário dentro do Banco.

A ação é um work in progress que terá continuidade em outros bancos e com novas ações.

Piscinão de Ramos em Belo Horizonte

In intervenção urbana on dezembro 31, 2012 at 01:08

Ação realizada em 29 de maio de 2011 na Praça da Rodoviária/Rio Branco em Belo Horizonte.

A intervenção  partiu de uma crítica aos caminhos tomados pela Praia da Estação (ação que o [conjunto vazio] esteve intimamente envolvido desde seu início, já que  própria ideia da Praia partiu de uma ação do coletivo A Ilha em consonância com o que chamamos de Tradição Praieira Insurgente de Belo Horizonte) que acabava por virar mais um divertimento acrítico de final de semana.

Sem dúvidas, a ação na Praça da Rodoviária foi uma das ações mais fracassadas do coletivo (a matéria publicada no site Ah! Cidade não nos deixa mentir), mas que acabou por revelar a relevância sobre certos pontos apontados pelo coletivo sobre como as movimentações na Praia da Estação acabaram por fetichizar o espaço da praça e, por fim, como passaram a nublar muitas outras movimentações na cidade. Inicialmente a proposta da Praia não se destinava a questionar apenas o decreto, mas os incontáveis recrudescimentos que a cidade passa(va) e que naquela época a proibição da utilização da praça para atividades de “qualquer natureza” era o maior sintoma.

O Piscinão (juntamente com outras ações como o Que Trem é Esse?, Praia da Serra, etc.) mostrou a ineficácia das tentativas que tentaram sair da Praça da Estação e dos espaços mais limpos da cidade. Enquanto na página do facebook (criada para convidar as pessoas para discutir a cidade na Praça da Rodoviária) cerca de 255 pessoas confirmavam presença e inúmeras discussões aconteciam na internet, se o momento presencial, da ação de fato, 15 pessoas permaneceram no mesmo espaço e ao mesmo tempo isso foi um recorde. Obviamente o número de pessoas não quer dizer nada e muito menos mede o teor de uma ação, mas é interessante pensar como a adesão e a discussão virtual não conseguem tomar corpo e mais do que isso, a maioria dos “banhistas” nunca parecem se sentirem motivados a ir além do já conformado e confortável espaço da Praça da Estação (e muito menos refletir criticamente sobre essas ações). A escolha da Praça da Rodoviária se deu justamente pela semelhança e ao mesmo tempo ser o anverso da Praça da Estação (mesmo sendo tão próximas), uma arquitetura que não facilita a permanência pela sua concretude e falta de locais com sombra, além dos mendigos, prostitutas e  um proeminente cheiro de xixi. Nessa comparação nos parece evidente que a Praça da Rodoviária é um espaço mais “degradado” e principalmente não “reformado”, já que a Praça da Estação contou com enormes reformas nos últimos anos, alterando pintura do prédio, ampliando o espaço do largo em frente para receber eventos, além da mudança de piso, da iluminação e o mais importante, as fontes. Importante frisar que a Praça da Estação conta com o Museu de Artes e Ofícios, uma espécie de museu particular da socialite Angela Gutierrez. Tudo isso colabora para uma visão da Praça da Estação como um espaço mais “habitável” e “limpo”, por isso mais facilmente gentrificante.

 Todas essas características pareceram não incentivar uma adesão à ação, principalmente se levarmos em conta que no mesmo dia aconteceu o Piquenique da 6ª Mostra de Design. Evento que além de contar com dinheiro de patrocínios público e apoio de grandes empresas, mobiliza também capital simbólico, já que oferece um espaço de consumo transvestido de espaço de convívio, pessoas descoladas e bem vestidas, grama e piscinas de verdade em uma rua fechada especialmente para o evento. Não há dúvida, nós do coletivo [conjunto vazio] também deveríamos ter ido para lá!

Piscinão

Panfleto: DIA SEM COMPRAS 2009

In intervenção urbana on dezembro 23, 2009 at 22:28

Panfleto do Dia Sem Compras

Panfleto do Dia Sem Compras

DIA SEM COMPRAS: SEUS DESEJOS ESTÃO À VENDA

A crítica à sociedade de consumo não é motivada porque consumimos demais, mas porque consumir virou a única coisa que nos é permitido. Somos sempre levados a viver o capitalismo da forma que ele é vendido, mas o que aconteceria se acreditássemos mesmo na publicidade? Se de fato “vivêssemos o agora” como mandam as propagandas? Os bancos não existiriam, as ruas amanheceriam com as pessoas cantando e dançando ao redor dos carros pegando fogo. Não sobrariam outdoors, propagandas, publicidade. Não haveriam mais empregos e nem dinheiro.

“Aproveite o minuto”, “Faça algo novo”, “Tudo o que você gosta muito, diariamente”, “Toda hora é hora de aproveitar”, “Leve a vida do melhor jeito que você puder”, todo um mundo de possibilidades fornecidos por juros baixos ao mês. Estamos intoxicados pelo espetáculo, aceitando sacrifícios diários à espera de uma vida futura que não chegará. Hoje, dia 24 de Dezembro, vocês celebram o natal consumindo e perdendo suas vidas achando que comprar é a única forma de demonstrar qualquer tipo de afetividade e de envolvimento com o outro.

Cuidado com o que desejam nobres consumidores,  isso ainda se voltará contra vocês!

[conjunto vazio] e Amig@s da Próxima Insurreição

A Ilha

In intervenção urbana on dezembro 6, 2009 at 14:51

“A Ilha” é uma Intervenção Urbana realizada em 2007 pelo coletivo [conjunto vazio] que propõe uma outra utilização para os espaços públicos. Através de uma ação banal como tomar banho de sol com amigos (e eventualmente sua avó) em uma rotatória, tentamos viver plenamente a cidade e questionar a utilização habitual dos seus espaços.

De que formas você vivência a cidade?

Mais fotos aqui

Dia Sem Compras # 2007

In intervenção urbana on dezembro 5, 2009 at 21:32

Dezembro é um mês importante graças a uma data comemorativa muito especial: o “dia sem compras”. Um dia no qual pessoas do mundo inteiro realizam ações contra o capitalismo aproveitando a potlach estúpida do natal. Para saber mais sobre as movimentações do Dia Sem Compras: diasemcompras.wordpress.com ou www.buynothingday.co.uk Abaixo a intervenção urbana realizada no dia 24 de Novembro de 2007 pelo [conjunto vazio]. As ações do “Dia sem Compras” foram:

1. Na madrugada do dia 23 para o dia 24 de dezembro,domingo para segunda, o coletivo foi a 4 lugares (já previamente escolhidos no centro de Belo Horizonte: o antigo Bahia shopping na rua da Bahia, a agência do Banco do Brasil,loja C&A e a entrada do shopping Cidade) e nas portas desses estabelecimentos foram colocados fitas de isolamento (amarela com listras pretas), antes desses locais abrirem.

2. Na manhã do dia 24 de dezembro, segunda-feira,o coletivo distribuiu paralelepipedos de rua (já previamente coletados, somando 180 pedras) e embalados com panfletos e amarrados com fita de presente. Colocados dentro de um carrinho de compra esses “presentes” foram distribuidos na frente dos estabelecimentos comerciais do centro da cidade, ao serem entregues era dito as pessoas: “Feliz Natal, tome seu vale brinde, desconto em todas as lojas…é só pegar e usar”, “pegue seu cartão de crédito”, “felicidades”, etc.

 As pessoas nas ruas se amontoavam em volta do carrinho querendo ganhar o souvenir.

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DIA SEM COMPRAS COMPRE MENOS! VIVA MAIS!

Se, por acaso, um extraterrestre desembarcasse na Terra em algum dos dias que antecedem a noite de natal, seguramente o que lhe chamaria a atenção, pela intensidade, não seriam o amor, a paz, a solidariedade, mas sim a euforia desesperada com a qual compramos coisas nessa época, e como submetemos cinicamente todos aqueles sentimentos positivos ao ato de consumir. E o espantoso não é que falemos de amor quando na verdade queremos trocar mercadorias, mas que nós submetemos tudo, passamos por todas as dificuldades, proporcionamos os maiores sofrimentos, com o objetivo de preservar o consumo de coisas.

Os aspectos que constituem a sociedade capitalista e a forma de vida que ela nos impõe, que inevitavelmente somos impelidos a construir, parecem irremediáveis: a desigualdade social que deve ser necessariamente preservada para o pleno funcionamento do sistema; o modo como as empresas (sobretudo as multinacionais) passam por cima de qualquer limite ético para alcançar maiores lucros (trabalho semi-escravo e infantil, venda de alimentos cancerígenos, degradação do meio ambiente, …) e o modo como até os nossos sonhos são moldados. É especialmente no natal que as pessoas acreditam que, ao comprarem objetos caros, são beneficiadas na medida em que se alcança um certo sentimento de superioridade frente aos seus próximos. Somos colocados – por nós mesmos – nas piores situações para consumir: fazemos dívidas absurdas que nos deixam estressados e nos obrigam a trabalhar mais; compramos toda espécie de “bugigangas” que nos oferecem – cujo tempo de uso é limitado pela próxima oferta; passamos o dia com pessoas que eventualmente não são aquelas que gostaríamos que estivessem nos acompanhando, ao menos naquele momento ou daquela forma mediada por objetos.

É porque acreditam que existem infinitas formas possíveis de se relacionar com o mundo e com as pessoas que o habitam, por meio de uma lógica externa à capitalista e consumista, que pessoas de vários países organizam o DIA SEM COMPRAS. Abandonar completamente o modo de vida capitalista pode parecer inicialmente impossível, porém, existem formas de construir experiências alternativas ao modo dominante no dia-a-dia. Por exemplo, no lugar dos rituais criados apenas para aumentar o consumo, pode-se partir para a invenção de rituais próprios junto à família, amigos ou vizinhos, reuniões que de fato propiciem a relação com o próximo. Sabemos perfeitamente da impotência política que recai sobre nós. Mas, no lugar de simplesmente reconhecê-la e aceitá-la passivamente, defendemos como ponto de partida uma reflexão crítica em relação à realidade – que, em meio à alienação generalizada, pode ser considerada poderosa.

Mais  fotos aqui