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“Natal Sem Compras” na Casa Invisível

In blog on dezembro 22, 2017 at 16:41

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CASA INVISIVEL se abre mais uma vez!
Questionando o consumismo, o isolamento e a apatia, nesse Natal Sem Compras te convidamos a também vir okupar a casa.

Quando?

Sábado, 23 de Dezembro de 2017

Onde?

Casa Invisível

Av. Bias Fortes, 1034

Centro – Belo Horizonte

 

Programação:

*11h – Abertura da Casa

 

*12h – Almoço Coletivo aberto e grátis

 

*14h – Oficina de Bambole

 

*15h – Exibicao do Filme:

BRAD – UMA NOITE MAIS NAS BARRICADAS


Rebelião popular em Oaxaca, México, 2006. Quando os paramilitares dão um tiro de fuzil no peito de Brad Will, a câmera cai, mas continua gravando. Essa câmera passa de mão em mão, contando a história de Brad. É um pouco desse movimento de movimentos conhecido como antiglobalização. Das ocupações urbanas em Nova York, a um piquete ecologista no Oregon, à batalha de Seattle, Praga, Quebec, Gênova, Quito, Goiânia, Oaxaca… Por trás da câmera estão os amigos de Brad que, como ele, se dedicam a mostrar o que não aparece na TV.

 

*16h30 – Roda de Conversa:

REVOLTAREBELDIA E AUTONOMIA NOS DIAS DE HOJE


De Carnavais Revoluçoes a Domingos Nove e Meia… De S-26 a Espaço Gato Negro… de Escolas Autonomas de Feriado a Praias da Estação… de Bicicletadas a Encontros Terra Preta… de Ystilingue a Loja Grátis… de Ocupação Guarani Kaiowa a movimentos pela redução de preços de transporte urbano…
Tudo isso passando pelo junho de 2013 e desembocando num contexto global e nacional assustador.
A Casa Invisível nasce nessa esteira dos movimentos anárquicos e autonomistas globais e se propoe a ser um espaço de convergência rebelde no centro da cidade de BH.
Nessa roda de conversa, ainda que sob risco de desalojo da Kasa, nos propomos a realizar uma vez mais um encontro dessa comunidade que, enquanto grupos, indivíduos e projetos, compomos.

 

*18h – Pizzada Vegana, cerveja, música e festa

 

Quer conhecer mais sobre a Casa Invisível?

www.we.riseup.net/casainvisivel/

 

Quer conhecer mais sobre o Natal Sem Compras/Dia Sem Compras

www.diasemcompras.wordpress.com/2017/12/22/breve-historico-do-dia-sem-compras

 

Ajude a Divulgar!

O Golpe!

In artefatos, performance on maio 5, 2016 at 14:51

 

O Golpe - Coletivo [conjunto vazio]

As revoluções fracassaram.

É necessário admitir que o inimigo não tem cessado de vencer, que a teoria não irá nos redimir e muito menos a arte sublimará os fantasmas que ainda restam.

Nossas brincadeiras nunca serão uma ameaça e não há nada mais para se alcançar agora, nem mesmo o fracasso…

O que fazer?

Trabalhadores de todo mundo, voltem para casa!

(o teatro está fechado)

 

Realização: coletivo [conjunto vazio]

Belo Horizonte

2016

 

 

Belo Horizonte e (algumas de) suas movimentações subterrâneas

In blog on janeiro 18, 2015 at 20:45

“O mainstream vem até você, mas é você quem tem que ir até o subterrâneo.”

Frank Zappa

As insurgências cotidianas não começaram em junho de 2013 e não vão parar lá! É importante que se diga e se repita para que toda uma história de lutas não seja apagada pelo maravilhoso sopro do eventual que foi junho.

O apagamento da história recente em prol do fetiche da novidade é algo que beneficia igualmente acadêmicos, intelectuais públicos, estetas e o próprio poder econômico-político. No esforço para que nada ocorra, uma das estratégias mais claras de qualquer poder é impedir o acesso ao que veio antes e assim poder evitar o que virá, mantendo o separado enquanto separado, a experiência isolada e estranha. É negando o esquecimento que podemos fazer jus aqueles que vieram antes, substituindo o olhar meramente de espectadores por um olhar político, afirmando o passado como uma abertura, não homogênea e não contemplativa. É esse olhar que permite elementos dispersos possam ser reconhecidos como uma tradição insurrecional.

O crescente interesse nas práticas festivas, estéticas e políticas, com suas pretensões horizontais, autogestionárias, apartidárias e anticapitalistas é indício da difusão de idéias e experiências que até então estavam limitadas a pequenos grupos, subterrâneas. Para que muitas dessas vivências não se percam no tempo e na busca do sempre novo fizemos um apanhado altamente pessoal, totalmente parcial e criminosamente afetivo. Não pretendemos aqui realizar uma narrativa definitiva (sabemos como muitas coisas ficaram e ficarão de fora), longe disso… queremos também de certa forma estabelecer a NOSSA genealogia, já que somos altamente devedores das movimentações citadas!

Começaremos então uma pequena e confusa linha de (algumas) movimentações subterrâneas em Belo Horizonte:

– MANSÃO LIBERTINA/COMUNA

Mansão Libertina

Espaço anticultural do final dos anos 90 e início dos 20000 que contava com biblioteca, estúdio para ensaio, shows, festas e palestras. A Mansão era um espaço de moradia mas que também abrigava maravilhosas bandas como o Saddest Day, Libertinagem, Retórica e projetos como o coletivo Cisma, além de ser um local central importância para as movimentações da época.

– CARNAVAL REVOLUÇÃO

Carnaval Revolução

Criado em 2002 na Mansão Libertina e posteriormente realizado em diversos lugares inusitados (de um hotel no centro a um lava-jato, passando por um sítio e uma escola pública) o evento ocorreu durante 10 anos sempre no período de carnaval com shows, debates, oficinas, apresentações de teatro, performance, palestras.

Constituía como um importantíssimo ponto de encontro de diversos indivíduos e movimentações em todo Brasil afim de discutir, divulgar e vivenciar práticas libertárias.

Pequeno texto no Centro de Mídia Independente sobre o Carnaval Revolução (www.midiaindependente.org/en/red/2003/12/269216.shtml)

Carnaval Revolução - Bloco

– GATO NEGRO – CENTRO (ANTI)CULTURAL

 Gato Negro

Criado após o Carnaval Revolução em 2002, o Gato Negro – Centro (anti)cultural funcionou no Maletta até 2005 com uma vasta programação que incluía vídeos, debates, palestras, oficinas (incluindo de arte urbana e culture jamming) e cursos. Permanentemente qualquer pessoa podia ter acesso à livros, revistas, vídeos e fanzines. Funcionava lá também um café vegano.

O Gato Negro hoje se constitui como um coletivo voltado a causa dos direitos animais e divulgação do veganismo.

Pequeno texto no CMI sobre o espaço (http://brazil.indymedia.org/content/2003/06/256866.shtml)

Gato Negro - Centro Anticultural

– COLETIVO ACRÁTICO PROPOSTA (CAP)

S26 - Belo Horizonte

Coletivo anticapitalista que estava em constante contato com diversos outros coletivos dentro e fora do Brasil durante os protestos antiglobalização no início dos anos 2000 em Belo Horizonte. Em conjunto com o Alimento & Ação, coletivo inspirado no Foods Not Bomb e que também estavam envolvidos como Carnaval Revolução, convocaram as manifestações do S26 [26 de setembro de 2000] em Belo Horizonte dentro dos dias de Ação Global dos Povos (AGP). A importância do CAP se dá pela articulação e crítica das diversas lutas na cidade e outros pontos do Brasil e do mundo, buscando ligar o local ao global e o global ao local. Em 2001 e 2002 com outros coletivos fazem duras críticas ao Fórum Mundial Social por seu caráter reformista e hierarquizado.

E-mail convocando para o “26 de Setembro: Carnaval Contra o Capitalismo” (https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/libertarios/conversations/topics/1918).

Considerações extemporâneas sobre nossa não-ida ao FSM” texto crítico de 2001 sobre o Fórum Social Mundial do Coletivo Acrático Proposta, Coletivo Contra-a-Corrente e Comunidade Piracema (http://www.inventati.org/contraacorrente/panfletos.htm#materia1).

“Mais do Mesmo… novamente afirmamos: não vamos ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre!” texto de 2002 sobre o Fórum Social Mundial do Coletivo Acrático Proposta, Coletivo Contra-a-Corrente e Comunidade Piracema ( http://www.inventati.org/contraacorrente/panfleto/fsm2002.htm).

S-26 - Praça 7

– DIA SEM COMPRAS

Dia Sem Compras

Inspirado no Day Buy Nothing Day do coletivo americano Adbuster, manifestação que critica o consumismo e a cultura capitalista com a proposta de passar um dia sem nada comprar. Nos EUA é comemorada na Black Friday, no Brasil comumente na véspera de Natal já que é justamente nessa data quando as pessoas ficam mais insanas para consumir.

Em 1999 ainda no dia 26 de novembro e coordenando com os “Buy Nothing Day” pelo mundo, o coletivo Alimento & Ação coordenou uma ação na entrada do Shopping Cidade com seus integrantes elegantemente trajados de terno distribuindo comida e panfletando. Foram exibidos diversos cartazes com slogans anticapitalistas e anticonsumo (http://www1.fotolog.com/tooleo/263867/ e http://www1.fotolog.com/tooleo/268505/).

Em 2000 já na véspera de Natal, manifestantes fizeram uma intervenção na porta do Shopping Cidade, com panfletagem e comida grátis, sendo duramente reprimidos por seguranças do estabelecimento que chegaram a quebrar o braço de um dos manifestantes. (http://www.midiaindependente.org/pt/red/2000/12/3.shtml -> curiosamente é o primeiro post do CMI Brasil).

Em 2007 o coletivo [conjunto vazio] passou fita zebrada em diversas portas de lojas do centro pela madrugada e pela manhã passeou com um carrinho de compras e distribuiu pedras como se fossem presentes (continham um laço de fita e estavam envolvidas em um panfleto anticapitalista) para transeuntes. (http://www.comjuntovazio.wordpress.com/2009/12/05/dia-sem-compras-2007/).

Em 2008 O coletivo Azucrina realizou um vídeo divulgando do Dia Sem Compras em BH. Na data do boicote, uma tremenda chuva despencou, forçando várias lojas a fecharem. (http://vimeo.com/3977491)

Em 2009 o coletivo [conjunto vazio] entrou no shopping Diamond Mall jogando do alto na praça de alimentação moedinhas de 1 centavo ao mesmo tempo que panfletos eram jogados do 3º andar do shopping e soltavam uma faixa dizendo “Não Consuma!” presa a balões de gás. (https://comjuntovazio.wordpress.com/2009/12/23/panfleto-dia-sem-compras/).

Em 2013 o coletivo [conjunto vazio] vai jogar Banco Imobiliário dentro do Banco do Brasil, fazer depósitos com dinheiro falso e enviar cartas ameaçadoras aos bancos (https://comjuntovazio.wordpress.com/2013/01/02/banco-imobiliario-auri-sacra-fames).

– RÁDIO SANTÊ FM

Importante rádio comunitária de Belo Horizonte que contava com diversos programas, que iam da divulgação da música independente da cidade, passando por programas voltados a causa negra, ao anarquismo e também sobre a causa feminista (como o programa “O.B. jetivo”) . A rádio funcionava no bairro em Santa Tereza, funcionando em diversos espaços físicos dentro do bairro, inclusive no Mercado Distrital de Santa Tereza criando uma forte relação comunitária. Um dos primeiros movimentos de radiodifusão publica e livre na cidade, funcionava de maneira autogestionada.

Foi fechada em 2000 pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) por não possuir concessão para funcionamento.

Áudios da ocupação da ANATEL na Rádio Santês (http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/05/254301.shtml)

– CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE (CMI)

CMIO Inydmedia ou Centro de Mídia Independente foi concebido, planejado e executado como uma ferramenta de mídia para os diversos movimentos sociais, políticos e artistas que iriam às ruas de Seattle contra a OMC em novembro de 1999 (também dentro do contexto de manifestações globais advindas da AGP). Seguindo o lema torne-se a mídia, o CMI começa a criar vários núcleos em diversas partes do mundo e através do site (www.indymedia.org) qualquer um poderia postar seus textos, fotos e reportagens. Em Belo Horizonte desde 2001 já havia colaboração CMI Brasil, a partir de 2002 forma-se o núcleo do CMI-BH. Esse coletivo ficava encarregado de alimentar o site do site do CMI e cobrir manifestações e atividades na cidade, além de propagar a ideia de uma mídia não mediada por valores econômicos e políticos.

Uma das iniciativas mais interessantes era o Jornal “O Poste” era um importante jornal, feito no melhor esquema faça-você-mesmo que era colado em postes pela cidade.

Entrevista de 2002 do CMI ao Jornal Hoje em Dia (http://brasil.indymedia.org/pt/red/2003/12/270532.shtml).

Lista do CMI-BH com importantes registros e discussões (http://archives.lists.indymedia.org/cmi-bh/).

– RADIOLA LIVRE

Radiola LivreCriada em 2004 é uma das primeiras iniciativas de radio livre na cidade.

A Radiola LiVre estava situada na UFMG e era composta por estudantes da graduação, mestrandos, funcionários da UFMG e ex-programadores de outras Rádios fechadas pela Anatel (como a Rádio Santê).  Tinha o intuito de divulgar e experienciar a formas de radiofusão livre através de uma organização autonoma não-hierárquica, sempre problematizando as formas de sustentação e a relação com os poderes instituídos.

Texto do CMI-BH sobre a Radiola (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/11/294676.shtml).

“Rádios Livres: As controvérsias ainda pairam no ar? Uma análise antropológica das novas relações sociais de radiodifusão” dissertação de mestrado sobre as rádios livres (http://pt.scribd.com/doc/242117891/Dissertacao-da-Flora-Completa-pdf#scribd).

– DOMINGO NOVE E MEIA (D9eMeia)

Domingo Nove e Meia

Surgido em 2007, era um encontro de cunho libertário, uma atividade para re-significação do espaço urbano e as relações entre os seus participantes. O D9eMeia possibilitava que pessoas de todos os lugares e ideias se apropriassem da rua para manifestar suas vontades: festas, debates, oficinas, churrascos veganos, shows, performances, apresentações artisticas, feiras grátis ou apenas um momento de encontro. Acontecia todo primeiro domingo do mês debaixo do Viaduto Santa Tereza, no baixo centro de Belo Horizonte em uma época que havia quase nada por lá, apenas o Duelo de MC’s (que começou concomitante ao D9eMeia e consideramos uma das atividades mais importantes e significativas de BH, já que efetivamente ocupa, resiste e trás a periferia ao centro da cidade).

Vídeo sobre o Domingo Nove e Meia (http://www.youtube.com/watch?v=Zx3CrgLVy6Q)

Wiki do Domingo Nove e Meia (http://rarbh.wikispaces.com/Domingo+Nove+e+Meia)

Domingo Nove e Meia - Show

– LOJA GRÁTIS

Loja Grátis

Surgida em 2009 diretamente das experiências com a Feira Grátis no D9eMeia (e seu cantinho das dádivas onde era possível pegar e deixar objetos) a Loja Grátis era um espaço localizado no Mercado Novo em uma loja emprestada pela Administração para a criação da mesma. Inspirada nos freeshop era possível pegar produtos sem precisar pagar ou trocar. Por meio de doações a Loja Grátis tinha o intuito de efetuar uma crítica prática a forma-mercadoria e ao dinheiro como mediador universal.

Matéria que saiu da Loja Grátis na Revista Vida Simples (http://ritacarvalhoportfolio.blogspot.com.br/2009/09/loja-gratis-vida-simples-abril-2009.html)

Wiki da Loja Gratis (http://www.lojagratis.tk/)

– ESPAÇO YSTILINGUE

YstilingueSurgido primeiramente como um coletivo de tecnopoéticas e depois sendo apropriado como um espaço aberto e horizontal pelas pessoa envolvidas no D9eMeia, Loja Grátis e outras agitações na cida.

Localizado no Edifício Maleta o Ystilingue era um local de experimentação e trocas em um contexto de liberdade de participação e de cooperação solidária entre grupos autônomos e indivíduos. Continha na época uma biblioteca, discoteca, videoteca comunitária, espaço de bricolab, a saudosa lanchonete “Barata Vegana”, desenvolvia oficinas, conversas, mostras de vídeos e festas.

O Ystilingue funciona ainda hoje como um dos espaços que compõem a Associação Elástica, juntamente com o Olympio (bar autogerido) e Gata Negra (futuro estúdio para experimentos sonoros, localizado na antiga sala onde ficava o Espaço Gato Negro).

Wiki do Espaço Ystilingue (http://ystilingue.wikispaces.com/).

Espaço Ystilingue

– BICICLETADA

bicicletadaTambém surgida da experiência direta do D9eMeia e inspirada em outras experiências de Bicicletadas e da Massa critica de outros estados e países. Em Belo Horizonte a Bicicleta iniciou suas atividades em 2008 e foi chamada no melhor estilo “faça você mesmo” com um rolê de bicicleta pela cidade. Além de permitir o encontro de pessoas interessadas em questionar o carrocentrismo, propagandear o uso da bicicleta na cidade e permitir uma mobilidade segura, a Bicicletada também produziu diversos panfletos e materiais gráficos.

Durante cerca de 1 ano e meio acontecia sempre última sexta-feira do mês, passando a ficar cada vez mais esparsa até cessar. Anos depois o evento volta a acontecer como “Massa Crítica”.

Relato da primeira Bicicletada (http://demagrela.blogspot.com.br/2008/03/bicicletada-bh.html)

Video da primeira Bicicletada (https://www.youtube.com/watch?v=Gi2F_4BuE_o)

Wiki da da Bicicletada (http://bicicletadabh.wikispaces.com)

Bicicletada - 1 ano

– COLETIVOS DE INTERVENÇÃO URBANA

Belo Horizonte tem uma longa tradição de coletivos e indivíduos intervindo na cidade. Dentre eles destacamos: grupo Poro (realizando intervenções poéticas e sutis na cidade); coletivo Renúncia (praticavam prankings  anticapitalistas como no McDonalds e culture jamming); Cidadão Comum ( intervém por meio de stencils, sticks e pixos); Vacas Magras (organizava eventos parodiando a Cow Parade); coletivo EntreAspas (além de realizar graffites também interviam por meio de assemblages feitos de objetos descartados que eram deixados nos espaços na cidade); coletivo Azucrina (realizavam graffites, além de shows e festas temáticas em rotatórias); coletivo Cisma (lançaram um dos melhores zines de Belo Horizonte “O Idealista” e estavam envolvidos em diversas bandas, além do grupo  de teatro de marionetes “A Revolução de Papelão“); coletivo [conjunto vazio] (intervenções, performances e agitações); 4e25 (lançaram diversas publicações, realizam graffites e murais).

O Sem Rosto é um vídeo importantíssimo pois evidencia muito bem um recorte sobre as práticas de culture jamming, intervenção e vandalismo pelos idos dos anos 2000 na cidade (https://www.youtube.com/watch?v=BWy6GBg_FAc).

– HORTA DA CHINELADA PRETA

Horta comunitária formada em 2008 após receberam um lote por concessão para desenvolver o plantio junto a comunidade, com a ajuda dos membros do bairro e membros de coletivos diversos. Entre as atividades desenvolvida estavam o estudo de permacultura, o plantio, compostas, irrigação alternativa.

A Horta da Chinelada Preta foi importante como uma das primeiras experiências dos grupos anarquistas em BH com as questões da permacultura, plantio e autonomia alimentar.

– ESCOLA AUTÔNOMA DE FERIADO (EAF)

Escola Autônoma de FeriadoEvento de cunho libertário e contracultural inspirado diretamente na experiência do Carnaval Revolução que havia acabado em 2008. Diversos espaços, coletivos, bandas e indivíduos (como o Espaço Ystilingue, coletivo Azucrina, Gato Negro, coletivo [conjunto vazio], Casa Somática, Horta da Chinelada Preta,  Exército Chapatista de Libertação da Culinária, Ü, Grupo Porco de Grindcore Interpretativo, dentre outros) se reuniram no carnaval de 2009 para criar a Escola Autônoma de Feriado. A EAF foi realizada no Espaço Ystilingue e na casa que abrigava o Azucrina e tinha como sugestivo lema: “Absenti Finxi Anus Factum Secui Vos” (“Tira o dedo do cu e faça você mesmo”). O evento durante 3 dias contou com festa, palestras, debates, oficinas, almoço vegano, bazar livre, bandas e um bloco DIY de carnaval que saiu pelas ruas de BH.

Site do evento (http://www.blog.azucrina.org/eaf).

Escola Autonoma de Feriado - discussão

– CASA SOMÁTICA

 Espaço organizado e gerido inicialmente por praticantes da terapia anarquista Somaiê. Funcionava de maneira autogestionada e horizontal. Realizava diversas atividades relacionadas a somaterapia, mas também oficinas, horta, shows, exibição de filmes, conversas e palestras. Além de abrigar a Escola Pirata (projeto de educação libertária e não-hierarquica) e ser um espaço convergente de pessoas e movimentações diversas.

– PRAIA DA ESTAÇÃO

Praia na Praça da EstaçãoHerdeira direta dessas movimentações passadas e surgida em 16 de janeiro de 2010, a Praia da Estação é uma proposta de ação direta, festiva e lúdica para ocupar a cidade. Organizada primeiramente sob o pseudônimo coletivo Luther Blissett, posteriormente Ommar Motta. Sempre com o intuito de se organizar de maneira horizontal e auto-organizada. A primeira Praia foi Convocada contra os mandos e desmandos do Prefeito Márcio Lacerda (que havia proibido eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, local tradicional de Belo Horizonte) e contra os processos gentrificadores que cidade passava, rapidamente ganhou uma adesão enorme. O evento ainda hoje acontece reunindo milhares de pessoas com roupas de banho, bóias, guarda-sol e um caminhão pipa.

Texto sobre a “A Tradição Praieira Insurgente de Belo Horizonte” do coletivo [conjunto vazio] onde a Praia é inserida em uma longa tradição de outra ações festivas-artística-políticas (https://comjuntovazio.wordpress.com/2011/05/28/tradicao-praiera).

“Uma Praia nas alterosas, uma antena parabólica ativista” mestrado sobre a Praia da Estação defendida no ano de 2012 na FAE/UFMG (http://pt.scribd.com/doc/105508186/Uma-Praia-nas-alterosas-uma-antena-parabolica-ativista).

“ ‘EI, POLÍCIA, A PRAIA É UMA DELÍCIA!’: Rastros de sentidos nas conexões da Praia da Estação” dissertação de mestrado em Comunicação pela UFMG defendida em 2013 (http://www.joanaziller.com.br/ppgcom/m2013carolinaalbuquerque.pdf).

“Praia da Estação: carnavalização e performatividade” dissertação de mestrado em Artes pela UFMG defendida em 2014 (http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/EBAC-9REMHA/praia_da_esta__o___cdr.pdf?sequence=1).

Texto crítico do [conjunto vazio] escrito logo após a primeira Praia em 2010 (https://comjuntovazio.wordpress.com/2010/01/21/praia-da-estacao).

Praia da Estação - Banho de Caminhão Pipa

– ASSEMBLEIA POPULAR HORIZONTAL (APH)

Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte

Surgida durante as manifestações de Junho de 2013 também por inspiração anarquista, autonomista e libertária, a APH é na nossa minha humilde visão um desdobramento dessas diversas ações na cidade. É uma tentativa de abrir um espaço de encontro entre indivíduos, grupos, partidos, coletivos de diversas ideologias e práticas. APH é constituída por dois eixos, por um lado auto-organizativo constituído por Grupos de Trabalho variados (que vão de metedologia a mobilidade urbana, passando por reforma urbana e democratização da mídia) e por outro um eixo composto propostas de ações diretas, protestos, escrachos. A APH por meio da busca de uma linguagem comum, anti-hierárquica e combativa. Através da autonomia, horizontalidade e ação direta buscam se organizar e ampliar a luta por uma auto-gestão generalizada da vida e da política.

“Nas Ruas” livro sobre as Manifestações de Junho de 2013 em Belo Horizonte e sobre o contexto de formação da APH (https://www.editoraletramento.com.br/nasruas.html)

Wiki da APH (https://aph-bh.wikidot.com/) .

Assembleia Popular Horizontal (ocupação da Câmara)

ENCONTRO LIBERTÁRIO TERRA PRETA

Encontro Libertário Terra Preta

 Evento  que aconteceu em agosto/setembro de 2013, na ocupação urbana Guarani Kaiowá (em Contagem – região Metropolitana de Belo Horizonte), com o intuito de reunir anarquistas, libertários,  autonomistas e interessados em vivência libertária e horizontal. 

Durante três dias diversas pessoas de diversas partes do Brasil acamparam na comunidade com debates, oficinas, mesas, sarau, filmes, performance, música, atividades culturais e outras atividades de cunho libertário. A participação era gratuita e a alimentação foi feita de modo coletivo e solidário por todos.

Página do evento ( https://www.facebook.com/encontrolibertarioterrapreta).

Fotos do evento (https://www.flickr.com/photos/mariaobjetiva/sets/72157635342674575 e https://www.flickr.com/photos/dq-pb/sets/72157635345659489).

Encontro Libertário Terra Preta - roda de conversa

Aos que vieram antes, agora e depois de nós…

verbete #7: [representação política e ações não-representativas”]

In vocabulário de palavras em desuso on setembro 12, 2014 at 18:59

Fora TODOS

Um espectro ronda nosso tempo – o espectro da autonomia e da recusa total das representações políticas. Todas as fracassadas instituições e hierarquias unem-se para esconjurá-lo… porém, já é tarde!

Mais uma eleição se aproxima e com ela todo o mal estar referente a uma “juventude” à qual nenhuma representação política corresponde (ainda que desdenhosamente riam desse teatro farsesco tão conhecido). Intelectuais públicos se apressarão a falar e os jornais em seus editoriais analisarão como a falência do sistema de representatividade ainda não encontrou uma consolidação institucional capaz de dar materialidade a toda esse descontentamento, ainda assim uma parte da população mesmo descrente acreditará que essa é a única forma possível de expressão política. No momento em que milhares de pessoas em todas as partes do mundo se dedicam a deserção das velhas formas de vida (escola, família, partidos, sindicatos, etc.), à sabotagem deste velho mundo por meios das festas e danças em volta das fogueiras feitas com as mercadorias que se negaram a desejar, é necessário ser muito estúpido ou um policial para procurar líderes, uma “célula financiadora” ou um acadêmico que explique as razões dessa pretensa insensatez.

Ainda que eleições sejam apresentadas como o ápice do ato política e muito comumente como a única forma de participação nas sociedades capitalistas (além do “direito” a trabalhar e a consumir), é através dela que ocorre um dos principais processos de mistificação conservadora e alienante do atual estado das coisas, visto que se trata sempre de uma transferência de poder para outros e do abandono da luta direta. As eleições funcionam sob o véu da participação para realizar a máxima: mudar para que as coisas continuem as mesmas.

Desde a modernidade, o conceito de representação política está associado ao consentimento e alienação da população. Por essa lógica, o representante seria o agente autorizado a atuar em nome do povo e a defender seus interesses. Mesmo que do próprio povo emane o poder é absolutamente necessário que ocorra a autorização e transferência para aquele que, pretensamente, em meio às múltiplas demandas da população identificará e atenderá seus anseios. No espetáculo atual a ampliação do direito de eleger os representantes e membros dos órgãos do Estado significa, única e exclusivamente, a performatividade da decisão que toma substância através dos dispositivos supostamente democráticos. Longe de ampliar direitos ou avançar frente às formas anteriores de dominação, supostamente mais despóticas, esse dispositivos conseguem apenas mascarar a nossa miserável condição de dominados e submetidos a um poder externo.

Nesse processo de submissão as técnicas de poder tanto a “esquerda” e quanto a “direita” permanecem ideologicamente comprometidos em deixar tudo exatamente como está. Essa é a justa concretização do círculo da representação política que nunca cessa de rodar e a oferecer pseudo-respostas a todos que estão cansados demais para tentar insurgir mais uma vez. Aqueles que ainda votam mantêm uma esperança ingênua ou um cinismo que parece ter como intenção dar materialidade a representativa frase-clichê que desde junho de 2013 vem sendo incessantemente proferida: “devemos protestar nas urnas”. Por mais risível que pareça a proposição, é efetivamente essa a fantasia primordial que tanto a esquerda quanto a direita fazem questão de sustentar, a saber, que as pessoas devam continuar votando ad infinitum para protestar contra o fato de que se pudessem não votariam! Já não é mais possível alimentar falsas esperanças e toda ingenuidade que reforce isso é um erro, assim como fingir que há qualquer solução que capitule o que aí está e apague a história em troca da inocência. Não basta apenas “saber” que as eleições servem para reproduzir o mesmo sistema de coações através da ilusão de representatividade, pois nunca foi tão atual o cinismo como a ideologia que opera um distanciamento performativo, fantasiando-se de posicionamento crítico. O que se vê a partir daí é a proliferação do discurso que afirma “sei bem que votar não irá resolver, MAS…”. Somos capazes de “saber” que eleger alguém não mudará nada (principalmente pela razão de como o poder se estrutura), que o problema não se resume a quem ocupa o cargo e que a democracia representativa tem problemas incontornáveis. Efetivamente “sabemos” que a ideia de democracia mascara uma forma particular de exploração, mas mesmo assim, continuamos a seguir essa ideia sendo incapazes de aderir ao próprio discurso e a readequar nossas condutas práticas.

Festa da democracia!

Tanto a esquerda quanto a direita prestam ao Capital esse precioso serviço de mistificar as eleições e o papel do Estado, ajudando a disciplinar e circunscrever as lutas no interior da sociedade capitalista aos limites da institucionalidade. Essa visão de que o Estado deveria ser alargado para receber as demandas da população e se consolidar como uma mediação entre os diversos desejos difusos, só afastou ainda mais a possibilidade de qualquer mudança significativa ajudando a fomentar entre os descontentes a crença de que o poder externo poderia manter a “ordem” e suprir demandas. O caráter arcaico e ao mesmo tempo absolutamente moderno consistiu em abstrair o Estado da rede de relações sociais capitalistas da qual é parte e apresentá-lo como um ente autônomo em relação ao capital. Dessa forma, o Estado é apresentado de forma invertida: de agente ativo do processo de dominação capitalista e defensor dos interesses da classe dominante, ele aparece como principal agente de mudança e defensor dos interesses da classe dominada. Nesse aspecto a luta contra a representatividade política apresenta seu potencial mais radical, quando se efetiva não apenas como negação política, mas na luta contra toda e qualquer economia-política! O que de fato impressiona é que mesmo o marxista mais ardoroso e radical (que deveria saber dessa obviedade) se transforma em um kautskistabernsteiniano ao se aproximar da simples – e quase sempre longínqua- possibilidade de chegar ao poder. Os ideólogos da esquerda “radical” dirão que se trata de luta “contra-hegemônica”, de contrapor discursos, de se “infiltrar na máquina”, da possibilidade de diálogo com as massas, de passos táticos para a revolução… quem ainda acredita nisso?

É importante não perder de vista que também a esquerda precisa legitimar o processo viciado das eleições, afinal de contas, é disso que dependem seus cargos, as contas do partido, os salários dos parlamentares e assessores, os privilégios, as posições de poder das lideranças, dos burocratas partidários e até a ascensão social de uma parte da militância. Mesmo o minúsculo partido de extrema-esquerda se constitui sob uma base hierárquica em que as formas de poder são exercidas e legitimadas por essa estrutura, mesmo que não exista absolutamente nenhum tipo de ganho monetário envolvido diretamente, esse poder não deixará de ser contabilizado, reforçado e desejado. Ainda que usem o discurso de que o partido é um meio de organização – o que “justificaria” sua existência- sabemos bem como tais organizações se autonomizam e passam a ser um fim em si mesmo, altamente dependentes do sistema político e do Estado. Aquilo que deveria ser a função de toda organização comprometida com a mudança, ou seja, a luta e busca de diálogo real é substituída pelas disputas por cargos, pelo recolhimento às tarefas administrativas e burocráticas. Toda a possibilidade de mudança cede lugar a realpolitik, ao apaziguamento reconciliatório entre classes e à dependência financeira. Onde deveria haver a busca de comunicação direta, há o voto e onde deveria haver a desconstrução do poder soberano, há a alienação.

Se há algo que junho de 2013 nos mostrou, foram as potencialidades da auto-organização e da ação direta, da força não-hierárquica que emerge da demanda total, desejo que não se contenta com as vitórias parciais e com a meia-vida. Resta saber se os partidos políticos ( também os sindicatos e outras organizações, cuja lógica é a mesma) não entenderam ou agem com sua alienação esclarecida, tentando mediar aquilo que escapa de suas mediações. Justamente eles que “participaram” do processo de junho, seja para negá-lo, tentar cooptar os processos ou de maneira muito rara, construir… justamente eles que perceberam muito tardiamente o quanto estavam atrasados em seus anseios de “dialogar com o povo”! O que vemos hoje são os vários candidatos que se reivindicam como os “legítimos” representantes das ruas; candidatos cujo discurso flertam com o ataque à representatividade ao mesmo tempo em que pretendem renovar a fé no sistema político (através da própria candidatura, claro); ou até mesmo aqueles que clamam pela revolução sem que isso reflita em uma negação que ultrapasse a pura abstração. Essas candidaturas chamadas de “alternativas” parecem afirmar em sua práxis que é necessário votar primeiro, eleger candidatos e só depois poderemos finalmente discutir o que é democracia real, pois segundo os mesmos, ainda que não devamos ter esperanças no sistema democrático temos de ser “realistas” em ver que não há formas além dele. O recado implícito parece claro “Tivemos nossa catarse em junho e agora é necessário fazer política DE VERDADE!”ou “Vocês não tem um projeto para o dia seguinte!”.

Esquerda Socialista - A Volta dos Que Não Foram

A concreta construção da resistência ao estado atual das coisas exige o abandono das ilusões em torno dos que ainda advogam uma convivência pacífica entre as classes, daqueles que ainda acreditam ser possível humanizar e administrar o capitalismo por meio do Estado e de políticas reformistas. Ao rejeitarmos o Capital, o Estado e sua democracia representativa, propomos como alternativa a autonomia, a ação direta e a auto-organização das lutas. Não há fórmulas prontas, mas os inúmeros exemplos históricos e atuais do desenvolvimento das assembléias populares, horizontais e descentralizadas, das comunas, de toda organização para além do voto e das “assembléias gerais” aparecem como recusas das coações, da coagulação do poder coercitivo e sua linguagem não-comunicativa. Os movimentos e lutas que com sua capacidade de definirem seus próprios objetivos, métodos de organização e de luta de forma independente, não se submetendo a qualquer partido político, governo e empresa apresentam um aspecto importante da negação total das formas hierarquizadas e confronto com as mediações impostas. Não se trata mais de constituir um partido ou projeto mas aprender a partilhar a recusa!

É necessário que não se cesse de efetivar e descobrir as tantas negações práticas existentes. Que possamos criar espaços e nos reencontrar nas lutas, mantendo a iniciativa de integração sempre viva entre os desertores e essas inúmeras negações atuais. As possibilidades nunca foram tão reais quanto nesses dias em que tantas insurreições ocorrem em todo mundo como as de junho de 2013 no Brasil, a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, as inúmeras revoltas na Grécia, os levantes nas periferias da França de 2005, em Londres em 2011 e tantas outras. Há nesses exemplos uma onda libertária e autônoma com uma disposição para a luta e ações diretas conseguindo disseminar seu teor crítico, emancipador e anti-representativo para além dos meios militantes inócuos. Essas insurreições por sua radicalidade inevitavelmente atingem o Estado que não cessa de diariamente nos jogar uns contra os outros, arremessando-nos na maquina infernal do trabalho e do mercado. Por isso, não tardou ao poder estatal e também aos meios militantes (que já não viam hora de voltarem às suas rotinas entediantes e devolver as ruas à normalidade) pedirem que passivamente voltemos às velhas crenças no sistema representativo, mas como fazer isso depois que encontramos nas ruas tomadas a brecha para nos unirmos como cúmplices e respondermos a violência inerente ao cotidiano das cidades? A violência do poder econômico-político corre invisibilizada e naturalizada em todas nossas relações sociais, no trabalho ou no tempo livre, na linguagem ou no amor. É nas barricadas que as formas emancipatórias de comunicação e de sociabilidade tornam-se críticas diretas ao poder, consciência prática do brutal cerceamento das potencialidades de nossas próprias vidas.

Nossa capacidade em nos sentirmos parte do processo de mudança se configura como a ponta do horizonte que se anuncia, admitir isso é passo necessário para descobrir os diálogos e a negação prática em todo mundo. Conectar e articular a resistência tem a ver tanto com tomar uma posição diante de tudo o que é espetacular geograficamente próximo a nós, quanto com redescobrirmos na distância espacial e temporal as proximidades que vinculam a negação quando ela decide a dialogar. Insistimos no caráter negativo da luta, pois o que resta para aquém disso é somente a obediência e a passividade generalizada.

A perspectiva de negação não é feita visando um futuro longínquo, mas a mudança do presente e em nome de todos aqueles que lutaram e tombaram na luta contra o espetáculo, como Carlo Giuliani na Itália,  Alexandros Grigoropulos na Grécia, Brad Will e Sali Grace em Oaxaca no México, Morcego e Dinho da banda Bosta Rala em Salvador, Douglas Henrique e Luís Felipe em Belo Horizonte, e outros tantos que nos antecederam. É preciso saber olhar para as derrotas e admiti-las, ter coragem para que possamos dizer novamente: “Fora TODOS!” (como também foram derrotados e silenciados os argentinos há dez anos atrás, mas cujo fantasma ainda assombra todos os dirigentes, estejam eles onde estiverem, nos partidos, sindicatos, organizações ou Estado, com o grito “Que se vayan todos!”). Temos sido desde sempre derrotados – a História continua a ser a dos vencedores – mas nossa insistência em lutar também diz respeito a todos aqueles que um dia se opuseram a essa constante, não deixando a história dos vencidos esquecida podemos redimir as lutas anteriores no combate emancipador do presente. Não há luta pelo futuro sem essa memória do passado! Então, não podemos nos contentar a meramente dissentir em torno da ordem porque os fracassos que nos trouxeram até aqui sempre se deram pela redução da negação ao “só isso agora é possível”.

Para tornar essa rebeldia em negação generalizada é preciso avançar na crítica total, não apenas nos epifenômenos do sistema espetacular. Isso não se dará pela negação abstrata ou por uma atitude externa (alienada, alienante e dirigista), mas por meio do diálogo prático… falar enquanto se faz! Só é possível dialogar a partir do que acreditamos, isto é, através de uma necessária recusa da totalidade sistêmica que naturalizou a soberania do poder. Se os partidos e movimentos sociais alimentaram durante anos ilusões eleitorais que sequer conseguem avançar no que se propõem – nada de radicais mudanças, “avanço” na “consciência do trabalhador”, apenas a mesma e velha performatividade do dissenso – quando então surgirá o momento da autogestão generalizada da vida e da destruição do mercado e do Estado?

Estamos atrasados!

Longe de manter a letargia isso deve nos impulsionar na busca e reapropriação do poder de agir, no desejo de decidir sobre nossos próprios destinos, de restabelecer vínculos de apoio mútuo e solidariedade essenciais entre os que buscam um novo devir. Se já não temos nada a perder (somente o tédio) não devemos nunca repetir a velha divisão bolchevique entre estratégia e tática, presente e futuro, ganhos a curto prazo e revolução, como se pudéssemos impunemente trair nossos desejos porque o que queremos é sempre taxado como da ordem do impossível. É isso a própria derrota do desejo, o eterno adiamento e responsabilização daquilo que acreditamos e pelo qual lutamos, colocando-os sempre em um futuro inalcançável. Londres, Espanha, Oaxaaca, Argentina, Grécia, junho, todas essas lutas são exatamente as explosões desse agora revolucionário (Jetztzeit) que não se generalizou e foram derrotadas pelo próprio isolamento. A recusa da representatividade é aquilo pode nos permitir estar efetivamente próximos, sem qualquer ideal de apaziguamento e reconciliações forçadas.

Sabemos que tais modos de resistência e de luta contem o risco de serem apenas mais um dispositivo de poder, mas não há porque se enganar, as formas anti-autoritárias trazem mais problemas que soluções. Entrincheirar, resistir e combater é exercer uma força contrária que busca criar fissuras no poder instituído, cuja renuncia e volta aos velhos moldes sempre se constituirá como a própria derrota da criação de algo novo. Esse novo só pode ser levado a cabo na destruição do próprio poder e suas representações.

É necessário ter fé no negativo e se permitir experimentá-lo… ninguém disse que seria fácil!

Invenções para efetivar a democracia

Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames

In intervenção urbana on janeiro 2, 2013 at 14:06

No dia 23 de dezembro de 2012 o [conjunto vazio] realizou a ação “Banco Imobiliário: Auri Sacra Fames” em comemoração ao Dia Sem Compras (evento internacional anti-capitalista de incentivo ao não consumismo e de crítica ao modelo de sociedade vigente).

Primeiramente, roubamos os envelopes de deposito do Banco do Brasil,  dentro de dezenas desses envelopes colocamos a famosa frase de Bertolt Brecht: “Qual o maior crime: fundar um banco ou assaltar um banco?”. Feito isso, devolvemos os envelopes ao banco como se nunca tivessem sido retirados de lá.

Depois dessa ação, realizamos uma série de depósitos nas contas correntes que o Banco do Brasil mantem/divulga para “ajudar” projetos sociais ou cidades atingidas por desastres naturais. Foram enviadas nos envelopes de depósito para o banco, notas de dinheiro do jogo Banco Imobiliário e uma carta-ameaça.

Segue o texto da carta-ameaça:

Banco Imobiliário
(Quando “Aproveitar a vida” é queimar um banco)

A crítica a sociedade de consumo não é motivada porque consumimos demais, mas porque consumir virou a única coisa que nos é permitido. Somos sempre levados a viver o capitalismo da forma que ele é vendido, mas o que aconteceria se acreditássemos mesmo na publicidade? Se de fato “vivêssemos o agora” como mandam as propagandas, esse banco já não existiria, as ruas amanheceriam com as pessoas cantando e dançando ao redor dos carros pegando fogo. Não sobrariam outdoors, propagandas, publicidade. Não sobrariam mais empregos e nem esse dinheiro sujo que sustentam vocês.
  “Aproveite o minuto”, “Faça algo novo”, “Toda hora é hora de aproveitar”, “Leve a vida do melhor jeito que você puder”, todo um mundo de possibilidades fornecidas por 12% de juros ao mês. Estamos intoxicados pelo espetáculo, aceitando sacrifícios diários a espera de uma vida futura que não chegará. Vocês prometem, mas nunca nos dão e tomam nosso cotidiano por um valor tão baixo, como se fosse esse o verdadeiro preço da liberdade ilusória, de tantos momentos falsos e de sonhos pré-fabricados materializados em um novo cartão de crédito.   Senhores, enquanto vocês dormem empanturrados de bugigangas desprezíveis, nós temos insônia com as escandalosas extorsões que sua corporação realiza. Cuidado com o que desejam aos seus consumidores, isso ainda se voltará contra vocês!

Sim, isso é uma ameaça!

VOCÊS NÃO ESTÃO SEGUROS!

Por fim, em um clima descontraído e jovial jogamos Banco Imobiliário dentro do Banco.

A ação é um work in progress que terá continuidade em outros bancos e com novas ações.

Como resistir se já está tudo vendido? – Palestra Desmotivacional sobre práticas de negações cotidianas, estéticas e políticas

In vivências e debates on dezembro 29, 2012 at 00:48

 

Palestra em telepresença do [conjunto vazio] no [Evento 2] – Cotidiano/Convívio/Resistência organizado pelo coletivo Novas Medias!?. O evento aconteceu no dia 18 de dezembro de 2012 na Galeria Theodoro Braga em Belém – Pará.

A comunicação, uma auto-ajuda reversa, parte de uma perspectiva ligada a anti-arte como tentativa de desvinculação entre arte e estética e principalmente de um espaço de voluntarismo (evitamos aqui o ranço que o termo “engajamento” tem) onde a negação prática se dá como negação cotidiana das práticas fetichistas dentro do capitalismo.  Tomar/destruir tudo o que pode ser tomado/destruído, diriam os situacionistas, mas será que é possível resistir se tudo já está a venda ou pior, que o preço esteja tão baixo?  Isso incluí repensar se as práticas que acreditamos serem de resistência, afronta e transgressão já não estariam inseridas na mesma lógica que queremos combater.

O que fazer quando o capitalismo é muito mais divertido e estético do que a arte?

In blog on abril 15, 2011 at 12:50

Quando eramos novos acreditavamos que fazer arte, criar e expressar nossas idéias era por si só revolucionário. Dizíamos que ter uma banda, montar um coletivo, fazer fanzines, etc. era o caminho para sermos mais autênticos,  coerentes com os nossos desejos e uma forma para combater o status quo dominante. Nossos ideais e ações tinham sempre como premissa a festa e o estético, isso servia para afastar todo o rancor, seriedade e postura militante que encarávamos na “velha esquerda”, ortodoxa e caduca.

Não que agora estejamos velhos ou renegando tais práticas (e muito menos querendo deslegitimar quem ainda crê e realiza tais posturas), trata-se aqui de ser coerente em tentar levar a cabo a crítica que propomos a partir do problema que se apresenta,  mesmo que seja necessário colocar em xeque e até abandonar nossas velhas e entranhadas prerrogativas.

Talvez a questão central: “O que fazer quando o capitalismo é muito mais divertido e estético que a própria Arte?”  não possa ser respondida, mas tampouco poderá ser evitada por aqueles que acreditam que lidar com o estético pode carregar potencias questionadoras e emancipatórias.

Grande parte daqueles  que são atravessados por esses problemas (artistas engajados, artistas políticos, artivistas  ou outro nome qualquer que queiram dar) respondem a questão tentando conciliar um fazer crítico com o estético sem de fato se atentar que em nossa época, as condições para a criação de relações anticapitalistas, criativas, divertidas e rizomáticas nunca foram tão propícias e estimuladas. Estaríamos então simplesmente encarcerados no próprio ciclo de produção que acreditávamos combater?

"Se alguém pensa que Hakim Bey é subversivo é porque ainda não conheceu os publicitários da Volkswagen"

Nessas configurações nos parece evidente que o problema do capitalismo no futuro será a utilização do tempo livre.  O artista aparecerá então, não mais como um pária ou crítico (como querem alguns), mas como um organizador dos  lazeres, cabendo a ele propor eventos e situações (qualquer um que já visitou uma loja da Apple sabe que o vendedor, quase sempre misto de DJ e Designer, não vende o produto mas suas potencialidades de uso e criação) . Tal previsão cria para aqueles que tiverem conhecimento, mesmo que mínimo, das vanguardas artísticas do século XX uma sensação de familiaridade e pavor já que as propostas de emancipação e utopia foram invertidas e incorporadas à lógica capitalista. O potencial disruptivo de tais vanguarda foram transformadas em glamour e novas tendências disponíveis para todos os setores do consumo .

Se a crítica aos moldes clássicos e todo um fazer estético que antes era questionador se mostra inócuo, a simples indiferença também não se mostra um caminho (como algumas críticas querem nos fazer crer ser a única e apocalíptica alternativa) como se bastasse sentar e esperar ruir o mundo sob nossos pés.

Impossível não levar tais críticas para o interior do [conjunto vazio] já que procuramos desvincular estética da Arte,  buscando fugir da lógica de apreensão de um objeto ou evento como imediatamente artístico. Fugindo de lugares onde essa relação já se dá de imediato e tentando de fato usar “procedimentos artísticos” na cotidianidade. Mas qual a real efetividade de tal estratégia?

O problema está posto, resta saber se não estamos incorrendo aos mesmos erros que apontamos…  cabe então, não apenas reelaborar questões e críticas, mas a possibilidade de criar uma nova práxis que se faz no cotidiano para além da Arte, da especulação vazia e da aceitação de grupo.

verbete #5: [mobilização e catarse]

In vocabulário de palavras em desuso on fevereiro 4, 2010 at 01:33

A história está recheada de situações nas quais ocorre uma mobilização social incapaz de levar a uma modificação das relações sociais, mas que, ao contrário apenas prolonga a sua existência. Há, dessa forma, um gozo substituto para as massas: tal mobilização visa a uma representação e não à causa que motiva a demanda. É o caso de linchamentos, quando a reação de uma comunidade frente a um crime não é voltar-se contra as causas do crime, mas eleger um indivíduo como a encarnação de todo mal. O linchamento é uma espécie de performance para afirmar os valores morais de uma determinada comunidade sem tocar na delicada questão de reformulá-los. O mesmo ocorre, por exemplo, com as medidas públicas de segurança. Está fora de cogitação uma política social para eliminar as causas da violência urbana, mas apenas voltar-se contra infinitos substitutos.

A manipulação de substitutos é um tópico essencial para compreender o modo de funcionamento da ideologia contemporânea. Se há uma decadência da esquerda é também porque todo descontentamento é realizado em “representações ou imagens de descontentamento”, não dando origem a uma verdadeira posição crítica. Antes é preferível oferecer signos de revolta através de objetos de consumo, do que reformular os próprios modos de envolvimento com a realidade social. Sem dúvida, a internet e a democratização da informação são ferramentas úteis para refinar a aderência dessas identificações em nós mesmos.

Algo estranho ocorre em sociedades democráticas. As mobilizações sociais não são totalmente proibidas, mas também não têm, geralmente, poder para transformar as relações sociais. Na verdade, por mais divergentes que elas sejam, elas têm a função precisa de garantir a auto-imagem de democracia. Elas são frequentemente mais performances que conferem certeza do quanto somos democráticos, do que uma verdadeira intervenção política.


Não é possível pensar a recusa de envolvimento político ou jurídico de mobilizações espontâneas como as chamadas T.A.Z (Zonas Autônomas Temporárias) nesses termos? Ou até mesmo passeatas e protestos longe de serem as mobilizações mais subversiva, não são apenas uma catarse para nossos descontentamentos?

Voltaríamos, então, a velhas questões e querelas, como por exemplo, definir quais seriam as formas centrais de se fazer política e efetivar a crítica, já que há uma enorme falácia na chamada “democracia”. Temos voz e podemos pronunciar qualquer critica, mas não há nenhuma comunicação ou horizonte de mudança possível. Além disso, é notório como os próprios meios da política “tradicional” estão sempre prontos a deslegitimar qualquer modo que desvie da sua burocracia e docilização, fomentando a sensação de que o estado das coisas seguem o seu curso de maneira autônoma sem que possamos sequer interferir,  uma tragédia grega onde só podemos sucumbir ao destino.

É necessário evidenciar que a política como conhecemos é uma atividade especializada e separada, exercida por poucos. Por isso, o embate político entre os que procuram gerenciar vidas e aqueles que resistem se dá já no cotidiano (qualquer proletarizado ou minoria política entende isso de imediato). Não poderíamos fugir de confrontar esse fato nem se quiséssemos, basta andar nas ruas ou ligar a TV para que isso salte aos olhos. Essa perspectiva reforça que não podemos nos furtar de inventar novas formas políticas que vão além de um “mudar o estilo de vida” ( discurso usado diversas veze pela publicidade como única forma de mudança possível na sociedade capitalista) ou de uma organização aos moldes da velha esquerda, que está sempre a espera de uma revolução que nunca chega. Não é possível sustentar posições reformadoras!


Seriam as T.A.Z, intervenções urbanas, ações estético-politicas, marchas e protestos (ou outro nome que queiram dar a essas manifestações) capazes de avançar em direção a uma perspectiva mais radical de mudança, mesmo que muitas vezes tais ações sejam usadas em grande parte das vezes para o simples expurgo do tédio cotidiano?

Nossa crítica não significa a  priori a negação de uma potência subversiva que essas ações podem provocar. O grande problema acontece quando há uma satisfação interminável com os “fins de semana revolucionários” sem que isso seja transportado para o cotidiano como um todo negando a especialização e a fragmentação. Embora apreendida e difundida como um modismo contido em kits literários para ativistas, os procedimentos que borrem as instâncias do poder, quando aplicados à prática cotidiana materializada, podem ser bons exemplos das possibilidades de transformar velhas e novas estratégias em radicais territórios autônomos e autogeridos.

Se tomados não como uma espécie de modelo e performance mas a partir de sua potência, tais ações podem enfim nos jogar imediatamente para o agora – é notório o quanto de nós vive no passado ou em planos que ainda não se concretizaram- servindo para esclarecer e trazer a tona o quanto estamos em descompasso com o cotidiano. A partir disso, as falsas promessas que nos vendem e transmitem a ilusória crença de felicidade e reconciliação ficam latentes e carregam a possibilidade de serem alterada. A urgente necessidade de afastar a premissa introjetada de que seria necessário primeiro aceitar as regras do poder instituído com todos os seus procedimentalismos burocráticos, para depois reivindicar a chance de alterar a vida também é posta em xeque. Todas essas manifestações, aparentemente muito simples e banais, serviriam para construir estrategias e ações capazes de criar novas formas de política e subjetividade; Experimentações capazes de gerar resultados imediatos, prazerosos, festivos e questionadores (mas que não encerram a discussão e muito menos as reivindicações).

É necessário frisar e perceber o enorme risco de que tais atividades possam ser inócuas e encerrem-se em si mesmas caso não compreendam o limite tênue em que se equilibram, entre o reificado ativismo e o lazer, como o tempo “livre” passivamente consumido.

Panfleto: Sobre a luta anticapitalista

In blog on janeiro 12, 2010 at 16:47

A@s descontentes com a realidade;

Há um pouco mais de 10 anos os Dias de Ação Global foram inaugurados quando, atendendo aos chamados da Ação Global dos Povos, ativistas de diversas partes do mundo coordenavam protestos simultâneos em contraposição aos encontros dos gestores do capitalismo mundial (FMI, Banco Mundial, OMC, BID, etc.).


O mais famoso protesto desses dias foi o N30, esse sim de 10 anos atrás, também conhecido como a “Batalha de Seattle”. Cerca de 50 mil ativistas (entre sindicalistas, ecologistas radicais e anarquistas) simplesmente abortaram a chamada “rodada do milênio” da OMC (Organização Mundial do Comércio) que queria iniciar os anos 2000 negociando uma maior abertura do comércio mundial. Festas de rua, barricadas flamejantes, enfrentamento policial e as inovadoras táticas de comunicação via internet/celulares entre @s ativistas fizeram desse um dia vitorioso para o movimento anticapitalista mundial.

Este, porém, não foi o primeiro Dia de Ação Global (já havia acontecido o J18 em Londres e ainda em 1998 os protestos em Genebra), muito menos foi o último (tantos outros nos anos seguintes como o S26, A20, o G8 em Gênova, dentre outros). Tampouco as idéias, posturas e táticas ali utilizadas nasceram dentro desses Dias (@s autonomistas vinham agitando a Itália desde os anos 70 com suas greves selvagens e sabotagens, e os squatters alemães já usavam a tática Black Bloc nos anos 80) ou se acabaram com eles (a rebelião de Oaxaca em 2006 e a Grécia em chamas de 2008 comprovam isso).


No entanto nós, autônom@s, anticapitalistas, libertári@s, vivemos um momento agora em nossa realidade onde a paralisia é geral. E não adianta procurar justificativas que não existem. O mundo ainda continua sobre ataque constante do Capital e dos Estados, assassínios políticos diversos, super-exploração humana e animal e a destruição cada vez maior do nosso ecossistema em nome do lucro. E claro, a resistência não diminuiu, gritam @s squatters lutando pelos seus direitos na Holanda, @s manifestantes contra a COP15 na Dinamarca, as manifestações na Grécia e a juventude do “Fora Arruda” em Brasília.

O que parece ser notável é a grande miséria que se encontra no meio hardcore/punk, fato que fica visível justamente por ocorrer em um meio que se diz politizado e ativo, mas que atualmente limita todo seu potencial servindo apenas para organizar shows e reproduzir ainda mais o espetáculo da separação entre aqueles que atuam e aqueles que assistem. Não se trata aqui de dizer que o punk, o hardcore, o straight-edge, etc. são inúteis, mas que são ideologias e devem ser superadas para que continuem tendo poder crítico. Devemos descartar o que tem de mais superficial e aproveitar tudo aquilo que deve ser aproveitado.

Também não poderiamos esquecer da velha esquerda, patética e retrograda em seus valores, esperando eternamente que a revolução aconteça enquanto tiram o pó de velhas teorias sentados em suas reuniões burocraticas. Quase sempre estão mais preocupados em “catequizar” as pessoas,  além da notável falta de humor e desejo em seus discursos já empoeirados. A luta contra os poderes coercitivos é diária e deve negar heróis, vanguardas e o tédio.

O que faremos então? Existem duas opções, nos deixarmos levar pela maré da história, ou organizamos um motim, tomarmos o barco e içarmos a bandeira preta, antes de afundá-lo.

A barricada só tem dois lados. Ou se está do lado de quem quer manter a ordem, ou do lado de quem a quer derrubar. Escolha o seu e mobilize-se AGORA!

Amig@s da Próxima Insurreição e [conjunto vazio]

É possível resistir a um capitalismo rizomático?

In blog on dezembro 15, 2009 at 00:46

Gilles Deleuze e Félix Guattari afirmam explicitamente: o capitalismo tem o seu próprio Corpo sem Órgãos. O que isso quer dizer? Significa que o capital precisa dissolver todas as territorialidades do planeta para faze-las retornar cinicamente, de acordo com as leis do mercado. A indeterminação não é índice de revolta no capitalismo tardio como é nas culturas tradicionais. Ao contrário, ele joga com a indeterminação. Giorgio Agamben conta uma historieta bastante ilustrativa sobre os protestos de Gênova. Quando perguntado se não era a função da polícia manter a ordem, um policial responde que evidentemente não se trata disso. Na verdade, o que a polícia faz – ele responde – é administrar a desordem. O Iraque e o Afeganistão são dois países onde se exerce a administração da desordem e não a instauração da ordem. O mesmo ocorre quando se declara temporariamente estado de sítio por causa de um inicidente terrorista, de uma favela ocupada pela PM ou de uma manifestação de rua.

O fato incômodo é que aquilo que Deleuze/Guattari chamam de “desterritorialização” não é algo específico da resistência ao poder. O poder também opera desterritorializações. Um fenômeno que ocorre desde os primórdios do capitalismo é fazer nascer uma mão-de-obra completamente nova destruindo os referenciais de um grupo cultural determinado. Basta imaginar uma fábrica que chega em um espaço semi-urbano em alguma cidade do interior do Brasil e passa a impor à comunidade toda uma dinâmica de vida completamente estranha àquela que eles conservam há dezenas de anos ou talvez séculos. Inquietante também é o fato que mesmo grupos de resistência muitas vezes se satisfazem de um certo conjunto de símbolos e imagens que orientam as suas práticas revolucionários (territorializam o seu mundo) e que, tudo isso, de uma hora para outra, também é alvo de uma processo de desterritorialização. O problema todo então é: qual modelo de crítica é eficaz contra um sistema que estimula ele mesmo a sua crítica sem  que isso implique sua superação?

Carlo Giuliani - Gênova, 2001

Carlo Giuliani - Gênova, 2001