[conjunto vazio]

Archive for the ‘performance’ Category

Anti-Antigona

In performance on dezembro 30, 2016 at 20:12

Presos em um tempo sem heróis e deuses onde o passado sequer passou e já é ruína. Em meio às mercadorias, ideologias e estados o amor resultou inútil e o inimigo não tem cessado de vencer, é preciso então desenterrar os mortos pois somente deles receberemos nosso futuro…

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AntiAntígona tenta pensar a derrocada das perspectivas revolucionárias na contemporaneidade utilizando elementos da performance art, vídeo, risco físico e uma visualidade calcada em elementos insurrecionários.

Ficha Técnica

Realização e Concepção: coletivo [conjunto vazio]

Encenação e Dramaturgia: Paulo Rocha

Performers: Sílvia Andrade, Alê Fonseca, Paulo Rocha, Cristiano Peixoto (voz)

Coro: Brecht Bloc

Trilha-Sonora: Sentidor

Iluminação e operação de luz: Gabriela Luiza

Registro fotográfico da cena: Guto Muniz e Ciro Thielmann

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A performance foi apresentada no 17ª Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, em 17 de setembro de 2016.

A recepção crítica da cena pode ser lida aqui.

O registro da cena em vídeo pode visto aqui.

 “é preciso desenterrar os mortos porque é somente deles que poderemos receber nosso futuro”

“Limites da arte/vida” no Sô(M) – Encontro Internacional de Arte Sonora

In performance, vivências e debates on dezembro 22, 2016 at 15:47

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Com o nome de “Limites da Arte/Vida” o coletivo [conjunto vazio] foi convidado a fazer uma performance-palestra sobre assuntos caros ao coletivo, como a crítica à instituição-arte, a tentativa de dissolver a arte na vida e a derrocada das pretensões revolucionárias concernentes a alianças entre arte e política.

Instigados e desnorteados pelo tema, o primeiro passo do coletivo foi comprar o livro “O Que Fazer?” de Vladimir Lênin a fim de ter ideias ruins para apresentar.  O que se mostrou falho mas possibilitou uma abertura inicial para as questões e aporias do tema.

Para isso, a apresentação foi estruturada em 3 momentos:

Ligação telefônica a bancos: por meio de interação com o atendimento pré-gravado do banco a pergunta “O que fazer?” foi feita às máquinas

– Leitura do livro “O que fazer?” em chamas: queima e leitura do livro de Lênin, justamente na parte do livro onde ele explica a necessidade de uma organização adequada das massas, assim como a linguagem necessária para leva-las a revolução

– Karaôke da Internacional Comunista: exibição de um video-karaoke e performance musical composta por MIDI e vozes dissonantes sobre o tema da A Internacional Comunista

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Após a palestra foi aberta uma discussão com o público, que não pareceu muito animado em discutir tais questões em uma quarta-feira de manhã (afinal, quem poderia culpa-los?).

Os seminários foram conduzidos e mediados por J. P. Caron dentro do sô(m) ­ – Encontro Internacional de Arte Sonora, evento organizado pelo selo brasileiro Seminal Records e pela produtora belgo-brasileira Mangrove-Tentactile  no SESC-MG.

A performance/palestra foi realizada em 13 de julho de 2016.

Entrevista sobre o sô(m) com artistas e realizadores, pode ser vista aqui.

O material gravado do seminário, pode ser conferido aqui.

A Dialética Pode Quebrar Tijolos?

In performance on junho 20, 2016 at 23:59

 

Sinopse:

Poderiam ideias abstratas quebrarem o concreto?

Não importa desde que as nossas ideias  voltem ser perigosas!

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Materiais:

– 10 tijolos empilhados

– 1 madeira velha

– Microfone e Pedais de Efeito

– 1 corpo

– Algumas teorias

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Descrição dos procedimentos da performance:

o perfomer ajoelha-se sob a madeira
ele está em silêncio
seu corpo está voltado em direção a parede
ele deve tentar quebrar os tijolos um por vez usando a cabeça
o microfone acima de sua cabeça capta e reverbera o som dos tijolos em contato com seu corpo
a performance termina quando todas as tentativas e a paciência se esgotarem

 

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A performance foi executada em 2014 no  Perturbe – Festival de Ruído e Performance do selo Meia-Vida na cidade de Curitiba.

A apresentação em 2012 na residência artística Permeabilidades na Funarte – Belo Horizonte, promovida pelo CEIA (Centro de Experimentação Artística) pode ser vista aqui.  

O Golpe!

In artefatos, performance on maio 5, 2016 at 14:51

 

O Golpe - Coletivo [conjunto vazio]

As revoluções fracassaram.

É necessário admitir que o inimigo não tem cessado de vencer, que a teoria não irá nos redimir e muito menos a arte sublimará os fantasmas que ainda restam.

Nossas brincadeiras nunca serão uma ameaça e não há nada mais para se alcançar agora, nem mesmo o fracasso…

O que fazer?

Trabalhadores de todo mundo, voltem para casa!

(o teatro está fechado)

 

Realização: coletivo [conjunto vazio]

Belo Horizonte

2016

 

 

O Trabalho Liberta

In performance on dezembro 31, 2012 at 14:19
 
Ao entrar em Auschwitz pode se ler no portão principal: ‘o trabalho liberta’. A história do trabalho revela seu paralelo com a tortura, mesmo que impere um esquecimento da origem das palavras ‘tripalium’  e ‘labor’ . 
 A falácia do trabalho como valor adentra também o cotidiano fazendo com que nosso tempo livre seja ocupado por suas reproduções. Quão doloroso e alienante pode ser essa lógica que faz com que nossos corpos sejam domados e lacerados em troca da sobrevivência diária? 

 É necessário não esquecer (nós não esquecemos)…. então trabalhadores de todo o mundo, descansem!

O Trabalho Liberta - Capa

O Trabalho Liberta é um work in progress a partir do O Trabalho Dignifica o Homem.

A performance foi apresentada em junho de 2012 na exposição Táticas heterogêneas / aproximações entrópicas junto ao grupo Estratégias da Arte numa Era de Catástrofes da UFMG. A exposição foi realizada Salão Diamantina – Centro de Artes e Convenções da UFOP, dentro do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes.

 

O Traballho Liberta 19

O Traballho Liberta 44

Muro

In performance on dezembro 29, 2012 at 04:37

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O quão problemático e doloroso pode ser trabalhar coletivamente? O quão alienante e sem sentido pode ser o trabalho?

A partir da ideia banal e nada original da imagem do muro como metáfora da separação consumada na vida cotidiana e na política, a ação “Muro” propos a construção e desconstrução de um muro de pedras até a exaustão, sem falar, beber água, comer, ir ao banheiro ou parar para descansar e caso algum dos participantes desistisse não poderia jamais retornar.

A ação fracassada que teve exaustivas 9 horas de duração deixou um lastro ainda mais exaustivo – mas não menos questionador – de discussões, negociações, brigas e mal-entendidos (entre “artistas”; entre ideologias; entre os organizadores da residência e os realizadores da ação; entre o IPHAN/Funarte e os realizadores; ad infinitum).  Até  a  realização concreta da ação ficou muito claro o processo reificado e fetichista inerente ao fazer artístico, com suas promessas “relacionais” ou “permeáveis” mas que constantemente esbarram em relações verticalizadas, burocráticas e egoicas. A simples e inútil ação de construir um muro coletivamente em um evento de arte (que se pretendia permeável e aberto) acabou por revelar estruturas não condizente com toda a retórica que clamava pelo diálogo, pela experimentação e pelo o “processo” (desde que claro, as hierarquias se mantessem).

As vezes muros podem se transformar em barricadas.

 Números da ação: 

Duração: 9hs; 40 segundos em média para colocar e/ou retirar cada pedra.
Dimensão: 4 x 1,70m; 13 fileiras de 42 pedras.
Pedras movidas para a construção = 546; para a desconstrução = 254; TOTAL = 800.
Peso em média de cada pedra = 5Kg; totalizando em cerca de 4.000Kg movidos.
Passos em média para colocar ou retirar cada pedra = 200; totalizando em cerca de 160.000 passos.
Distância percorrida para colocar e/ou retirar cada pedra = 100m; Totalizando um deslocamento de 80.000m ou 80Km.

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“Muro” é uma ação do [conjunto vazio] em parceria com Admre Kamudzengerere, Flávio Cro, Jairo Pereira e Maíra Fonte Boa. Realizada em agosto 2012 na Funarte MG dentro da residência Permeabilidades promovido pelo CEIA (Centro de Experimentação e Informação de Arte).

A dialética pode quebrar tijolos?

In performance on dezembro 29, 2012 at 02:49

“Podem ideias concretas quebrarem o concreto?”

Elementos:

– 10 tijolos

– 1 madeira velha e vermelha

– 1 corpo

– Algumas teorias

Procedimentos: ajoelhado em direção a parede deve-se tentar quebrar os tijolos um por vez usando a cabeça

Saldo: Dialética 2 X 8 Tijolos

Performance realizada em agosto 2012 na Funarte MG  dentro da residência Permeabilidades promovido pelo CEIA (Centro de Experimentação e Informação de Arte).

O Trabalho Dignifica o Homem

In performance on maio 31, 2011 at 22:49

Ao entrar em Auschwitz pode se ler no portão principal: “o trabalho liberta”. A história do trabalho revela seu paralelo com a tortura, mesmo que impere um esquecimento da origem das palavras “tripalium “ e “labor” na atualidade. A falácia do trabalho como valor adentra também o cotidiano fazendo com que nosso tempo livre seja ocupado por suas reproduções. A performance “O Trabalho Dignifica o Homem” trata do quão doloroso e alienante é a lógica que faz com que nossos corpos sejam domados e lacerados em troca da sobrevivência diária.

Então trabalhadores de todo o mundo, descansem!


 Performance apresentada em abril de 2011 na Festa de Encerramento do Espaço Impróprio  em São Paulo.


Improvisões

In performance on maio 31, 2011 at 22:48

O “Improvisões ” foi um projeto experimental de Belo Horizonte  que integrou o  “Arte Expandida” da PBH. O projeto partia do improviso e do relacionamento sem hierarquia entre as mídias corpo, imagem e som.

Artistas de mídias heterogêneas aceitavam o risco de, diante do público, buscar o improviso consistente, sem que uma mídia se sobressaia, mantendo, assim, uma relação não hierárquica entre as áreas de corpo, som e imagem. Desta maneira, as apresentações conectavam a performance, a tecnologia, a criação espontânea e a materialidade cênica.

O coletivo [conjunto vazio] participou do projeto em parceria com  Tatu Guerra, artista plástico e videomaker, e o compositor e instrumentista Philippe Lobo.

A performance foi apresentada uma única vez  no Teatro Marília em setembro de 2008.


Esperando Debord

In performance on janeiro 1, 2010 at 23:33
Performance apresentada no 9° Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, 2008.
Para alguns “Esperando Debord” foram os 15 minutos mais entediantes e onde nada aconteceu, para nós do [conjunto vazio] a constatação que Piero Manzoni estava correto, mesmo um cocô enlatado é consumido com gosto se isso for chamado de arte!

SINOPSE:
“Esperando Debord” é uma performance conceitual que busca um confronto direto com o espectador. Inspirada no filme “Uivos para Sade”, de Guy Ernest Debord, a performance trata da fragmentação entre espetáculo e vida e faz uma crítica (conscientemente contraditória) à arte, temas com os quais Debord já lidava em seus outros filmes e textos.
Não há nenhum discurso a ser feito, a arte está morta e cheira mal.

 

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Crítica da jornalista Soraya Belusi (O TEMPO):
Também há espaço para o questionamento e a reflexão no Cenas Curtas. Claro que a platéia não parece ter gostado muito de encarar, olho no olho, o ator, sem fala e sem ação aparente em cena. Que fique claro: não foi inocência do ator ou falta de saber o que fazer, mas, sim, um enfrentamento consciente entre o conceito que ele tinha a defender e o que a platéia esperava ver. Ao construir um jogo intitulado “Esperando Debord”, Paulo reúne a idéia do que representa “Esperando Godot” com as teorias de Guy Ernest Debord, sobre a espetacularização até da própria arte. É o próprio Debord, em fotografia, que está ao lado de Paulo na cena. O que as pessoas estavam ali esperando: que ele falasse alguma coisa? Que realizasse alguma ação? Que preenchesse o espaço com algo? Pois era tudo que o ator não iria fazer, questionando até mesmo o que caracteriza a arte teatral. É curioso pensar a tamanha facilidade com a qual as pessoas, digo platéia, interferem na cena: falaram, xingaram, pediram para comprar cerveja, fizeram até chacota. Talvez seja exatamente isso o que o ator queria, mas, ao mesmo tempo, “Esperando Debord” não era uma cena como qualquer outra apresentada no evento? Estas são apenas perguntas… A opção do Conjunto Vazio, que idealizou acena, não foi apenas falar sobre o nada, mas, sim, colocar a ausência em cena.

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PANFLETO/QUESTIONÁRIO DISTRIBUIDO AO PÚBLICO

 

 

PARA ENTENDER “ESPERANDO DEBORD”

(OU QUANDO O TRABALHO É PRETENSIOSO E INTELECTUALÓIDE)

O que é a Arte?

(marque a melhor opção)

[   ]  “Silêncio”.

[    ]  A Arte está morta.

[    ]  A Arte deveria estar morta.

[    ]  Ótimo subterfúgio e fonte de renda para críticos pedantes.

[    ]  Pagar mais de R$ 10 para ver essa porcaria.

[    ]  Conversa de desocupado.

[    ]  Por que não vamos embora? (esperamos Debord.)

[    ]  Falar de arte é como transar com uma cadeira de plástico.

[    ]  Juízo de valor, só isso.

[    ]  Um bando de moleques brincando com a minha cara.

[    ]  Ela fede e isso basta para compreendê-la.

[    ]  Só aparece na decadência da vida cotidiana.

[    ]  A vedete da sociedade espetacular.

[    ]  Esse panfleto é uma GRANDE obra de arte!

[    ]  Todas as anteriores.

[    ]  Nenhuma das anteriores.

[    ]  Volte a pergunta: eis a resposta.

Vladimir: Então, devemos partir?

Estragon: Sim, vamos.

Eles não se movem.”

Isso não é  Beckett