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Sobre a masturbação teórica para além da especulação vazia

In blog on março 25, 2011 at 01:47

Raoul Vaneigem,  um dos principais teóricos da Internacional Situacionista (I.S.)  juntamente com Guy Debord,  publicou no número 10 da revista do grupo o texto Alguns tópicos teóricos que precisam ser tratados sem debate acadêmico ou especulação ociosa” sobre questões a serem debatidas e pensadas para além da pura especulação vazia e por aqueles que efetivamente estão envolvidos nas lutas para subverter  a ordem vigente.

“Crítica da economia política – Crítica das ciências sociais – crítica da psicanálise (em especial Freud, Reich e Marcuse) – Dialética da decomposição e da superação na realização da arte e da filosofia – A semiologia, contribuição para o estudo de um sistema ideológico – A natureza e as suas ideologias – O papel do lúdico na História – História das teorias e teorias da História – Nietzsche e o fim da filosofia – Kierkegaard e o fim da teologia – Marx e Sade – Os estruturalistas.

A crise romântica – o maneirismo – O barroco – As linguagens artísticas – A arte e a criatividade cotidiana – Crítica do dadaísmo – Crítica do surrealismo – Perspectiva pictórica e sociedade – A arte autoparódica – Mallarmé, Joyce e Malévitch – Lautréamont – As artes primitivas – Da poesia.

A revolução mexicana (Villa e Zapata) – A revolução espanhola – Astúrias 1934 – A insurreição de Viena – A guerra dos camponeses (1525) – A revolução espartaquista – A revolução congolesa – As revoltas camponesas na França de 1358 e depois – As revoluções desconhecidas – A revolução inglesa – Os movimentos comunalistas – Os Enragés – A Fronda – A canção revolucionária (estudo e antologia) – Kronstadt – Bolchevismo e trotskismo – Socialismo e subdesenvolvimento – A cibernética e o poder – O Estado – As origens do Islã – Teses sobre a anarquia – Teses para uma solução definitiva para o problema cristão – O mundo dos especialistas – Da democracia – As internacionais – Da insurreição – Problemas e teoria da autogestão – Partidos e sindicatos – Da organização dos movimentos revolucionário – Crítica do Direito Civil e do Direito Penal – As sociedades não industrializadas – Teses sobre a utopia – Louvor de Charles Fourier – Os conselhos operários – O fascismo e o pensamento mágico.

Do repetitivo na vida cotidiana – Os sonhos e o onirismo – Tratado das paixões – Os momentos e a construção das situações – O urbanismo e a construção popular – Manual do détournement subversivo – Aventura individual e aventura coletiva – Intersubjetividade e coerência nos grupos revolucionário – Jogo e vida cotidiana – Os devaneios individuais – sobre a liberdade de amar – Estudos preliminares para a construção de uma base – Loucura e estado de transe.”

res: cartas para niguém

In de: (...) para: (...) on março 1, 2011 at 20:35

Você encontrará aqui uma coletânea de cartas cujo destino mais apropriado é o de serem colocadas ao acaso em caixas de correio de um bairro qualquer da periferia de uma metrópole (seja cidade do méxico ou belo horizonte) por um grupo de crianças fantasiadas. o seu começo propositadamente é o seu fim. começa-se da separação para enfatizar o seu caráter irreversível, para que a distância esteja presente no começo, no meio e no fim. considerando que a única comunidade possível para nós é aquela propiciada através de um encontro ao acaso, é preciso antes de tudo assumir a distância, a condição de fragmento. o destinatário, assim como o objeto de desejo ou de memória (mas também como a morte), não está jamais ausente, porque a sua presença subsiste nas palavras, assim como a morte na vida, o passado na memória, doando-lhe sentido incessantemente. isso significa que da mesma forma que não realizar um amor jamais foi um motivo para deixar de desejar com intensidade, da mesma forma que a consciência da certeza da morte jamais foi um impedimento para que o vivo deixasse de correr com toda velocidade na sua direção (ainda que essa consciência o repugne), a indeterminação do leitor dessas cartas não foi um motivo para que elas não fossem escritas: é por jamais ser capaz de saber quem é você que consigo escrever-lhe do fundo do meu coração…

Ucrânia, vinte e cinco de Novembro de 1920

In de: (...) para: (...) on março 1, 2011 at 20:26

Caro Senhor I.,

faz muito tempo que não nos vemos mas ainda permanece doloroso constatar que sua faca só pesa em minhas costas em noites como essa. Espero que me perdoe por começar atacando, mas se há algo que me ensinou foi justamente nunca hesitar em atirar. Essa lição eu aprendi muito bem.

Em nosso último encontro, o senhor ainda parecia um pouco transtornado e arredio, mesmo assim eu ainda pensei em te abraçar em nome da nossa velha amizade, mas mantive uma distância segura. É provável que o senhor não tenha se incomodado e até compreendido minha desconfiança, já que todas as suas relações parecem sempre pautadas nisso, um grande jogo de traições e rupturas. Triste é constatar que o senhor nunca pareceu ser um bom estrategista, escolhendo constantemente como inimigos aqueles que tinham o senhor em mais alta estima.

Não quero usar de silogismos prontos e covardes afirmando que o senhor me dragou para sua vida com seus problemas e que tem o perverso poder de destruir tudo por tão pouco. Sei onde errei em minha última carta e todo ressentimento infantil que deixei transparecer no calor das horas, mas como o senhor, eu não vou pedir desculpas… talvez hoje eu entenda melhor suas atitudes, embora tenha dificuldade em aceitar que todas as suas certezas te transformaram somente em alguém infeliz e distante de qualquer “outro”. Não era contra isso que lutávamos?

Desejo que o senhor esteja bem, mesmo que sua escolha tenha sido essa, ser eternamente coerente com o mofo dentro do próprio peito.

Adeus.