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res: cartas para niguém

In de: (...) para: (...) on março 1, 2011 at 20:35

Você encontrará aqui uma coletânea de cartas cujo destino mais apropriado é o de serem colocadas ao acaso em caixas de correio de um bairro qualquer da periferia de uma metrópole (seja cidade do méxico ou belo horizonte) por um grupo de crianças fantasiadas. o seu começo propositadamente é o seu fim. começa-se da separação para enfatizar o seu caráter irreversível, para que a distância esteja presente no começo, no meio e no fim. considerando que a única comunidade possível para nós é aquela propiciada através de um encontro ao acaso, é preciso antes de tudo assumir a distância, a condição de fragmento. o destinatário, assim como o objeto de desejo ou de memória (mas também como a morte), não está jamais ausente, porque a sua presença subsiste nas palavras, assim como a morte na vida, o passado na memória, doando-lhe sentido incessantemente. isso significa que da mesma forma que não realizar um amor jamais foi um motivo para deixar de desejar com intensidade, da mesma forma que a consciência da certeza da morte jamais foi um impedimento para que o vivo deixasse de correr com toda velocidade na sua direção (ainda que essa consciência o repugne), a indeterminação do leitor dessas cartas não foi um motivo para que elas não fossem escritas: é por jamais ser capaz de saber quem é você que consigo escrever-lhe do fundo do meu coração…

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