[conjunto vazio]

Carta Aberta: Sobre a Praia na Praça da Estação

In blog on janeiro 16, 2010 at 01:05

 

A ação nem aconteceu e já vemos uma celeuma se formando.  Vemos como ferramentas de divulgação pela internet espalham a notícia de forma extremamente eficiente e rápida, ao preço de muitas vezes modificarem e deturparem o sentido original. Notamos o desejo insistente da mídia para noticiar a ação como mais um evento cultural da cidade. Sinceramente não sabemos se é vantajoso o preço que se cobra por tal “divulgação”.

A idéia e a organização da praia se deram de uma forma muito simples e propositalmente anônima. O que parece ser notório é a constatação de algo que quase sempre acontece quando se tem uma adesão tão popular e espontâneo:  o fato de que sempre existe alguém pronto para aparelhar e cooptar o discurso.

Algo comum em passeatas, repletas de bandeiras que se levantam com o intuito de uniformizar um mesmo discurso : “todos aqui lutam pela mesma causa e respondem a um mesmo ideal”. Nesse processo, há a tomada de frente de alguns (sejam individuos ou partidos), que se auto-intitulam porta-vozes de algo que nem existe

É necessário tomar cuidado aqueles que participam espontaneamente do evento, estimulados por um desejo legítimo de aproveitar a praça de uma maneira lúdica,  sejam utilizados como massa de manobra para engrossar as fileiras de uma ideologia que nem sempre compactuam. Ao mesmo tempo, tomar a praia como um flashmob significa retirar todo o potencial subversivo da intervenção, já que tal tipo de manifestação já foi  absorvida por um sistema de publicidade e atualmente é a nova diversão da classe média semi-instruída.

A Praia da Praça da Estação não tem líderes, não tem partido, não precisa deles… muito menos esse integrante do coletivo [conjunto vazio] que vos fala pode determinar o que a praia é ou deixa de ser, simplesmente porque isso não me pertence e a intervenção nem mesmo aconteceu. Se posso dizer algo, digo que essa ação irá se concretizar e não precisa de nenhum discurso que a legitime, muito menos de vanguardas, sejam elas artísticas, políticas ou jornalísticas.

Engraçado, como não só o sistema vigente, mas como também as pessoas dispostas a aderir à ação, ainda cobram esse tipo de legitimação de um grupo organizado,  um significado, sendo que o significante que é a ação em si,  já é auto-suficiente.  Não é necessário nem explicitar que o objetivo é contrariar o decreto autoritário e sem sentido do prefeito Márcio Lacerda, ou promover uma nova utilização da cidade; essa ação simplesmente é e não se encerrará aqui.

Os discursos, as hierarquias, o tédio, a publicidade gratuita tudo isso se cala; pois faremos da cidade nossa novamente!

Anúncios
  1. sem líderes, e porque todo cidadão é cidadão suficiente pra reclamar de volta uma praça.

  2. Foi bonito demais.
    Devíamos fazer isso sempre, é só começar a combinar de ir pra lá aos sábados, levar sombrinha e instrumentos e pronto!
    Com relação à imprensa, a gente ainda não sabe da repercussão que isso vai dar, mas ao mesmo tempo me alegra muito ver que somos tantos envolvidos e com um poder muito grande pra informar e alimentar o debate.
    Proibir “eventos de qualquer natureza”, e nesse período do ano foi o cúmulo da cara de pau…
    Esse governo todo tá errado, sempre reprimindo o diálogo e impondo na cidade (e no estado, que a gente conhece bem essa panelinha de barro da política mineira…)uma situação em que os cidadãos ficam alienados e sem força pra se reunir e construir juntos novas perspectivas.
    A propaganda é sempre a das obras, que servem pra mostrar um serviço pra inglês ver (ainda mais agora com essa história de copa). Sabemos do orçamento anunciado pelo governo, mas quantas outras pessoas pagam por isso e que preço pagam? Sabemos?
    Queria ter tido a idéia e a coragem de pixar nos 15 novos viadutos de Belo Horizonte: “Não precisamos de obras, precisamos de cultura e educação. E de saúde, segurança. E, principalmente, de justiça, que a gente sabe muito bem que esse país, com PIB aumentando o que for, continua sendo um país de analfabetos funcionais, por causa de sem-vergonhice dos que governam e dos que poderiam questionar as coisas mas no fundo preferem que continuem como estão.”
    E o Arena da Cultura, aquele projeto que acontece desde a época do Patrus e que alimenta a cultura em tantas instâncias e que simplesmente não aconteceu em 2009?
    O que aconteceu hoje foi uma manifestação linda de amor à liberdade, e que serviu pra mostrar pra nós mesmos o quanto estamos cegos e desarticulados. Talvez, inclusive, o debate sobre a suposta inconstitucionalidade deste decreto -ridículo, absurdo, diga-se de passagem, parece piada, ficção ou relato de ditadura – nos faça pensar no quanto as medidas do governo e a realidade social construída e mantida no nosso sistema é constitucional. O que resta daqueles princípos nas nossas vidas? Um faz-de-conta, talvez, conversa pra boi dormir.
    Me lembra a história do rei Luís XV, que governava um país de famintos e, além da ostentação (Tipo essa coisa coquetel-da-corte que rola em Belo Horizonte pra qq coisinha que se promove), quis manter a gracinha de ajudar na revolução americana.
    Ora, afinal de contas, pra que diabos serve um rei?
    Uma hora o povo se dá conta e o rei perde a cabeça!

  3. Olá, gostaria de te convidar para partipar de uma rede de troca de conteúdo, para mais detalhes me manda um email ok. Abraços. Matos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: