[conjunto vazio]

Esperando Debord

In performance on janeiro 1, 2010 at 23:33
Performance apresentada no 9° Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, 2008.
Para alguns “Esperando Debord” foram os 15 minutos mais entediantes e onde nada aconteceu, para nós do [conjunto vazio] a constatação que Piero Manzoni estava correto, mesmo um cocô enlatado é consumido com gosto se isso for chamado de arte!

SINOPSE:
“Esperando Debord” é uma performance conceitual que busca um confronto direto com o espectador. Inspirada no filme “Uivos para Sade”, de Guy Ernest Debord, a performance trata da fragmentação entre espetáculo e vida e faz uma crítica (conscientemente contraditória) à arte, temas com os quais Debord já lidava em seus outros filmes e textos.
Não há nenhum discurso a ser feito, a arte está morta e cheira mal.

 

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Crítica da jornalista Soraya Belusi (O TEMPO):
Também há espaço para o questionamento e a reflexão no Cenas Curtas. Claro que a platéia não parece ter gostado muito de encarar, olho no olho, o ator, sem fala e sem ação aparente em cena. Que fique claro: não foi inocência do ator ou falta de saber o que fazer, mas, sim, um enfrentamento consciente entre o conceito que ele tinha a defender e o que a platéia esperava ver. Ao construir um jogo intitulado “Esperando Debord”, Paulo reúne a idéia do que representa “Esperando Godot” com as teorias de Guy Ernest Debord, sobre a espetacularização até da própria arte. É o próprio Debord, em fotografia, que está ao lado de Paulo na cena. O que as pessoas estavam ali esperando: que ele falasse alguma coisa? Que realizasse alguma ação? Que preenchesse o espaço com algo? Pois era tudo que o ator não iria fazer, questionando até mesmo o que caracteriza a arte teatral. É curioso pensar a tamanha facilidade com a qual as pessoas, digo platéia, interferem na cena: falaram, xingaram, pediram para comprar cerveja, fizeram até chacota. Talvez seja exatamente isso o que o ator queria, mas, ao mesmo tempo, “Esperando Debord” não era uma cena como qualquer outra apresentada no evento? Estas são apenas perguntas… A opção do Conjunto Vazio, que idealizou acena, não foi apenas falar sobre o nada, mas, sim, colocar a ausência em cena.

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PANFLETO/QUESTIONÁRIO DISTRIBUIDO AO PÚBLICO

 

 

PARA ENTENDER “ESPERANDO DEBORD”

(OU QUANDO O TRABALHO É PRETENSIOSO E INTELECTUALÓIDE)

O que é a Arte?

(marque a melhor opção)

[   ]  “Silêncio”.

[    ]  A Arte está morta.

[    ]  A Arte deveria estar morta.

[    ]  Ótimo subterfúgio e fonte de renda para críticos pedantes.

[    ]  Pagar mais de R$ 10 para ver essa porcaria.

[    ]  Conversa de desocupado.

[    ]  Por que não vamos embora? (esperamos Debord.)

[    ]  Falar de arte é como transar com uma cadeira de plástico.

[    ]  Juízo de valor, só isso.

[    ]  Um bando de moleques brincando com a minha cara.

[    ]  Ela fede e isso basta para compreendê-la.

[    ]  Só aparece na decadência da vida cotidiana.

[    ]  A vedete da sociedade espetacular.

[    ]  Esse panfleto é uma GRANDE obra de arte!

[    ]  Todas as anteriores.

[    ]  Nenhuma das anteriores.

[    ]  Volte a pergunta: eis a resposta.

Vladimir: Então, devemos partir?

Estragon: Sim, vamos.

Eles não se movem.”

Isso não é  Beckett

 


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