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É possível resistir a um capitalismo rizomático?

In blog on dezembro 15, 2009 at 00:46

Gilles Deleuze e Félix Guattari afirmam explicitamente: o capitalismo tem o seu próprio Corpo sem Órgãos. O que isso quer dizer? Significa que o capital precisa dissolver todas as territorialidades do planeta para faze-las retornar cinicamente, de acordo com as leis do mercado. A indeterminação não é índice de revolta no capitalismo tardio como é nas culturas tradicionais. Ao contrário, ele joga com a indeterminação. Giorgio Agamben conta uma historieta bastante ilustrativa sobre os protestos de Gênova. Quando perguntado se não era a função da polícia manter a ordem, um policial responde que evidentemente não se trata disso. Na verdade, o que a polícia faz – ele responde – é administrar a desordem. O Iraque e o Afeganistão são dois países onde se exerce a administração da desordem e não a instauração da ordem. O mesmo ocorre quando se declara temporariamente estado de sítio por causa de um inicidente terrorista, de uma favela ocupada pela PM ou de uma manifestação de rua.

O fato incômodo é que aquilo que Deleuze/Guattari chamam de “desterritorialização” não é algo específico da resistência ao poder. O poder também opera desterritorializações. Um fenômeno que ocorre desde os primórdios do capitalismo é fazer nascer uma mão-de-obra completamente nova destruindo os referenciais de um grupo cultural determinado. Basta imaginar uma fábrica que chega em um espaço semi-urbano em alguma cidade do interior do Brasil e passa a impor à comunidade toda uma dinâmica de vida completamente estranha àquela que eles conservam há dezenas de anos ou talvez séculos. Inquietante também é o fato que mesmo grupos de resistência muitas vezes se satisfazem de um certo conjunto de símbolos e imagens que orientam as suas práticas revolucionários (territorializam o seu mundo) e que, tudo isso, de uma hora para outra, também é alvo de uma processo de desterritorialização. O problema todo então é: qual modelo de crítica é eficaz contra um sistema que estimula ele mesmo a sua crítica sem  que isso implique sua superação?

Carlo Giuliani - Gênova, 2001

Carlo Giuliani - Gênova, 2001

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