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São Paulo, quatro de Fevereiro de 2008

In de: (...) para: (...) on dezembro 6, 2009 at 14:22

e se o arauto esquecesse a ilusão que é comunicar e, enfim, acreditasse que aquilo que ele fala é apenas ruído? e, depois, não tentasse falar qualquer coisa que seja, mas, ao contrário, seguisse na direção inversa e elevasse o ruído a tal ponto que já não restasse forma alguma, palavra alguma, mas somente uma força, uma intensidade? de fato, ele não usaria a voz ou o papel, já não usaria palavras, porque seu objetivo agora seria, incessantemente, dar nome ao sem-nome. ele criaria novos instrumentos, ou renovaria aqueles que já existem, para nomear o a-nônimo com seu corpo ligado em um pedal de overdrive. as orelhas rudes diriam: ‘eu conheço esse idioma…’, obrigando o arauto a regressar àquela linguagem (como quem desce a montanha ou regressa à caverna) para explicar que ele entrou pelo lado errado do som. então, novamente, o povo perguntaria: ‘o que é que diz essa mensagem que não utiliza as palavras do nosso idioma? o que diz essa mensagem que nada comunica?’. o arauto palavraria pela última vez: ‘mesmo que, por vezes, se utilize de palavras, a música abarca aquilo que não corresponde a nenhuma palavra…’.

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