[conjunto vazio]

Dia Sem Compras # 2007

In intervenção urbana on dezembro 5, 2009 at 21:32

Dezembro é um mês importante graças a uma data comemorativa muito especial: o “dia sem compras”. Um dia no qual pessoas do mundo inteiro realizam ações contra o capitalismo aproveitando a potlach estúpida do natal. Para saber mais sobre as movimentações do Dia Sem Compras: diasemcompras.wordpress.com ou www.buynothingday.co.uk Abaixo a intervenção urbana realizada no dia 24 de Novembro de 2007 pelo [conjunto vazio]. As ações do “Dia sem Compras” foram:

1. Na madrugada do dia 23 para o dia 24 de dezembro,domingo para segunda, o coletivo foi a 4 lugares (já previamente escolhidos no centro de Belo Horizonte: o antigo Bahia shopping na rua da Bahia, a agência do Banco do Brasil,loja C&A e a entrada do shopping Cidade) e nas portas desses estabelecimentos foram colocados fitas de isolamento (amarela com listras pretas), antes desses locais abrirem.

2. Na manhã do dia 24 de dezembro, segunda-feira,o coletivo distribuiu paralelepipedos de rua (já previamente coletados, somando 180 pedras) e embalados com panfletos e amarrados com fita de presente. Colocados dentro de um carrinho de compra esses “presentes” foram distribuidos na frente dos estabelecimentos comerciais do centro da cidade, ao serem entregues era dito as pessoas: “Feliz Natal, tome seu vale brinde, desconto em todas as lojas…é só pegar e usar”, “pegue seu cartão de crédito”, “felicidades”, etc.

 As pessoas nas ruas se amontoavam em volta do carrinho querendo ganhar o souvenir.

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DIA SEM COMPRAS COMPRE MENOS! VIVA MAIS!

Se, por acaso, um extraterrestre desembarcasse na Terra em algum dos dias que antecedem a noite de natal, seguramente o que lhe chamaria a atenção, pela intensidade, não seriam o amor, a paz, a solidariedade, mas sim a euforia desesperada com a qual compramos coisas nessa época, e como submetemos cinicamente todos aqueles sentimentos positivos ao ato de consumir. E o espantoso não é que falemos de amor quando na verdade queremos trocar mercadorias, mas que nós submetemos tudo, passamos por todas as dificuldades, proporcionamos os maiores sofrimentos, com o objetivo de preservar o consumo de coisas.

Os aspectos que constituem a sociedade capitalista e a forma de vida que ela nos impõe, que inevitavelmente somos impelidos a construir, parecem irremediáveis: a desigualdade social que deve ser necessariamente preservada para o pleno funcionamento do sistema; o modo como as empresas (sobretudo as multinacionais) passam por cima de qualquer limite ético para alcançar maiores lucros (trabalho semi-escravo e infantil, venda de alimentos cancerígenos, degradação do meio ambiente, …) e o modo como até os nossos sonhos são moldados. É especialmente no natal que as pessoas acreditam que, ao comprarem objetos caros, são beneficiadas na medida em que se alcança um certo sentimento de superioridade frente aos seus próximos. Somos colocados – por nós mesmos – nas piores situações para consumir: fazemos dívidas absurdas que nos deixam estressados e nos obrigam a trabalhar mais; compramos toda espécie de “bugigangas” que nos oferecem – cujo tempo de uso é limitado pela próxima oferta; passamos o dia com pessoas que eventualmente não são aquelas que gostaríamos que estivessem nos acompanhando, ao menos naquele momento ou daquela forma mediada por objetos.

É porque acreditam que existem infinitas formas possíveis de se relacionar com o mundo e com as pessoas que o habitam, por meio de uma lógica externa à capitalista e consumista, que pessoas de vários países organizam o DIA SEM COMPRAS. Abandonar completamente o modo de vida capitalista pode parecer inicialmente impossível, porém, existem formas de construir experiências alternativas ao modo dominante no dia-a-dia. Por exemplo, no lugar dos rituais criados apenas para aumentar o consumo, pode-se partir para a invenção de rituais próprios junto à família, amigos ou vizinhos, reuniões que de fato propiciem a relação com o próximo. Sabemos perfeitamente da impotência política que recai sobre nós. Mas, no lugar de simplesmente reconhecê-la e aceitá-la passivamente, defendemos como ponto de partida uma reflexão crítica em relação à realidade – que, em meio à alienação generalizada, pode ser considerada poderosa.

Mais  fotos aqui

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  1. […] Em 2007 o coletivo [conjunto vazio] passou fita zebrada em diversas portas de lojas do centro pela madrugada e pela manhã passeou com um carrinho de compras e distribuiu pedras como se fossem presentes (continham um laço de fita e estavam envolvidas em um panfleto anticapitalista) para transeuntes. (http://www.comjuntovazio.wordpress.com/2009/12/05/dia-sem-compras-2007/). […]

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